quarta-feira, dezembro 20, 2006

Natal no shopping

Ontem tive que ir ao Norteshopping.

Isto não teria nada de anormal, não estivéssemos a 5 dias do Natal. Ou seja, estava lá eu e mais 30 mil pessoas.

Que confusão!!! Que violência! Que trauma!

Estive lá o mínimo tempo possível, mas como já era algo tarde para jantar, resolvi encomendar uma refeição, para levar para casa. Depois da encomenda, fui fazer a compra que precisava, enquanto aguardava pela refeição.

Ao sair da praça da alimentação, passei por uma casa de sandes, onde estava uma jovem lindíssima na fila.

Para quem me conhece, o que aconteceu a seguir é claro como a água: dei uma traulitada com a cabeça num pindericalho natalício que tinha na parede. Pior, quando voltei a olhar para a jovem, enquanto passava por ela, ela ria-se da situação.

A situação poderia não ter sido má de todo, se eu tivesse aproveitado para inventar um comentário jocoso, que daria origem a alguma resposta, e quem sabe ao início de uma conversa. Mas é claro que não o consegui fazer. Lembrei-me de algo engraçado para dizer, mas só 10 segundos depois. Já não tinha muita piada voltar lá, bater no ombro da rapariga, e dizer "olha, há pouco, isto e aquilo...". Nem olhei para trás, voltei a entranhar-me no meio dos milhares de anónimos visitantes daquele templo consumista.

Convenhamos, uma mulher com um palminho de cara, hoje em dia, ainda consegue muita coisa... Depois vêm dizer que são discriminadas, e coisa e tal... Têm-nos na mão, isso sim!!!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Pinochato

Uma amiga minha queixou-se de eu não lhe responder aos comentários, por isso cá vai:

Ainda é sobre a pena de morte, na sequência da imposta ao Saddam.

Ontem foi o Pinochet que quinou, escapando assim a uma pena dura. Confesso que não sei se no Chile há pena de morte, mas há muitos que desejavam esse fim para o ditador.

Mas é curioso ver as diferenças nas manifestações a favor e contra. Geralmente pensamos que só o povinho português é que é burrinho, mas no fundo toda a gente é igual em toda a parte. Há sempre quem não queira ver o sofrimento que estes energúmeros da história fazem passar milhares de pessoas, e prefira ver apenas o lado positivo.

É assim tipo Fátima Felgueiras, mas com assassínios políticos e tortura incluídos. Toda a gente da terra dela gosta dela, mas todos sabem que é salafrária.

Bem, o que interessa aqui é que muita gente gostava de ver o Pinochato na forca. E eu não os censuro. É como eu disse há uns tempos: eu? pagar os meus impostos para alimentar e dar guarida a um tipo que matou metade da minha família e forçou a outra metade ao exílio? Era só o que faltava!!! (pensava eu se fosse chileno...)

Epa, cheira mal aqui, foste tu, Pinto da Costa???

Ainda não corri à Fnac para ler o último best-seller, o Eu, Carolina. Falha grave.

Lindo título... Decerto plagiado da obra de Robert Graves, "Eu, Cláudio" (versão tv deu há uns anos na RTP, na antiguidade em que só havia 2 canais...). Provavelmente é uma tentativa de criar logo aquele impacto inicial, dá um ar distinto, coisa que a jovem nunca teve.

Bem, "jovem" já não é muito, embora a diferença de idades fosse algo notória. Mas deve ser essa juventude que lhe dá a coragem.

Sim, porque acho que é preciso coragem para trazer um livro daqueles a público. E não estou a falar dos capangas do Pinto. É preciso coragem para vir dizer coisas do género "eu cometi um crime, por favor venham prender-me!!!".

Afinal, quem é que tem a coragem (ou, convenhamos, idiotice) de dizer "fui eu quem contratou uns capangas para dar um enxerto ao gondomarense"??? Só falta completar com "os senhores agentes da autoridade podem encontrar-me em casa a qualquer hora do dia, por favor arranjem-me uma cela com água canalizada e Sic Mulher..."

Se foi a mando do Pinto? E ela consegue provar isso? Não sei porquê, mas tenho as minhas dúvidas...

E para que raios queremos nós saber que o Pinto se farpa por todo o lado??? Acontece!


Nota: Sou portista, mas não fanático. Ou seja, como toda a gente, também acredito que o Pinto tenha feito poucas e boas, mas duvido que tenha deixado grandes pistas, e além disso, não é o único a fazê-las, nem de perto, nem de longe...

domingo, dezembro 10, 2006

É domingo...

Hoje é Domingo.

Comigo é habitual ir almoçar a casa dos meus pais. Moram numa zona do Porto muito concorrida ao domingo. Ou seja, é quase impossível arranjar lugar para estacionar lá perto, e o trânsito é de despedaçar os frágeis nervos.

Eu confesso, irrito-me com alguma facilidade no trânsito, principalmente com pessoal que anda a 2 à hora, tentando encontrar um lugarzinho para estacionar, tendo manifestações de pequeno regozijo quando encontram um espaço apenas a 3 km do local onde queriam ir. Porque é domingo, e o bom é passear. E os que, ao procurar lugar, encontram um espaço do outro lado da rua, aceleram e guinam rapidamente para lá, para quem ninguém mais o apanhe, e quase provocam um acidente com quem ia a ultrapassar. E ainda mandam vir!

Depois há os outros de domingo. Os que vão encher os shoppings. Claro que nesta altura, os shoppings não estão cheios só ao domingo, estão todos os dias!!! Mas ao domingo é impressionante. Famílias inteiras em excursão, não esquecendo a bisavó inválida e o cão. E ai de quem se atravesse no seu caminho, estão lá para se divertirem e não páram por ninguém! E é tão bom ver que o traje dominical de fato de treino, ainda não está completamente fora de uso...

Mas enfim, também é verdade que dou mais valor às pessoas que vão passear para a foz do que os que vão para os shoppings. Mas têm que empatar tanto o trânsito???

Alguns podem considerar este post algo elitista e snob... Não é, é mesmo só irritação por andar a 2 à hora...

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ainda sobre o anúncio da Pluma...

Ainda bem que os meus posts originaram alguns comentários. Pensei que só havia 1 ou 2 pessoas que liam isto, afinal vejo que até são 3 ou 4!

Mas em relação à publicidade das botijas das meninas do gás, convém dizer que:

- Eu não acho piada ao facto de anunciarem que a troca da botija pode ser feita, mediante sorteio, por uma miúda escultural. É claro que isso é machista!!! Eu referia-me à vulgarização da coisa, ao recorrer a um subterfúgio sexual para publicitar um produto. É que acho que é fácil imaginar um tipo em casa a pensar que se tiver sorte, tem uma boazona a trazer-lhe o gás a casa, e que se for mesmo o dia de sorte dele, quem leva com a bilha é ela mesmo!

E acho bem que exista o anúncio da OK Teleseguro. Está com piada, porque o objectivo é mesmo esse: é ter piada e gozar com os anúncios machistas.

Mas para todas as feministas que me lêem: concordam com o sistema de quotas? Ou cotas? Nunca sei como é...

Bom, para todos os efeitos, eu não concordo que uma mulher tenha que pertencer a uma lista partidária, só para completar os 30% ou lá o que é. Isso é ridículo. Uma mulher deve ter relevância quando a merece, e não porque "tem que ser". Acabem com os homens energúmeros que lá estão, e que só têm ar entre as orelhas, e então aí teremos mulheres capazes em lugares de decisão. Ou seja, acabem-se com as cunhas...

domingo, dezembro 03, 2006

Suécia - país civilizado???

Quem disse que a Suécia é um país civilizado? Na vanguarda da Europa e tal e coisa...

É verdade que na estrada, estão uns pontos à nossa frente. Se a estrada tem um limite de 90, não passam dos 90. Isto faz alguma confusão a um português típico...

Estive lá no final de Novembro, numa terreola no centro, a uns 70Km a norte de Gotemburgo, chamada Trollhattän.

Fiquei uns 4 dias, pelo que fui para um hotel que parecia jeitoso. O Scandic Swania Trollhattän.

Logo ao 2º dia, fico sem um saco com roupa. Levaram-no do quarto do hotel!!! Que roubo idiota! Quem é que leva um saco só com roupa??? É que estava aberto, notava-se bem que não tinha lá nada a não ser roupa. Nem telemóveis, nem câmaras.

Descobri isto de noite, ao preparar a roupa para o dia seguinte. Depois da perplexidade inicial, e depois de gorada a esperança de ter deixado o saco num qualquer canto do quarto ( e de ter revirado o quarto de cima a baixo), ligo para a recepção:

- Sim? Olhe, eu estou no quarto 327, e fui roubado, levaram-me um saco com roupa...
- Aahh? A sério? Olhe, nem sei o que dizer. Levaram muita coisa?
- Levaram-me a roupa toda!!!
- Pois... isso é mau...
- Eu diria que sim!!!
- Mas olhe, eu tenho pouca experiência aqui, posso pedir-lhe que aguarde até de manhã, e fala com os meus colegas? Eu deixo-lhes já o recado...

E fui dormir, pouco, ainda com os nervos de quem foi assaltado e não pôde fazer nada.

Dia seguinte, falo com o gerente, e peço-lhe para conversar com o pessoal da limpeza, pois parece-me que o saco terá sido levado durante a limpeza do quarto.

Volto a meio da tarde, e nada. O homem pergunta-me se quero ligar para a polícia, ao que respondo algo como "obviamente que sim!!!". Ligamos do gabinete do gerente.

- Sim? Eu sou do hotel XPTO, e tivémos um roubo. Pode vir cá alguém?
- Ahh? Roubo? Aqui? Oohh. Hmm... O roubado, está aí?
- Sim, está aqui comigo.
- Ah, e ele vai estar aí até que horas hoje?
O homem pergunta-me até que horas vou estar no quarto (pormenor importante: nesta altura eram 16:30 da tarde)
- Ah, olhe, então diga-lhe que logo dizemos alguma coisa. E logo se vê.

O tempo passou, fui jantar, e no regresso dizem-me que a polícia esteve lá às 21:45.
Eram 22:15, pelo que ligo para o número que a polícia tinha indicado.

- Sim? Olhe, eu estou no hotel XPTO e fui...
- Ah, sim, já sei. Olhe, importa-se de ligar para este outro número? Obrigadinho!
- Sim? Olhe, eu estou no hotel XPTO e fui...
- Ah, sim, já sei. Olhe, agora não temos ninguém para ir aí. Só se for no próximo turno, que entra às 23h00...
- Que seja, eu quero é a polícia aqui...

Apareceram às 24h00. E claro que só tomaram conta da ocorrência. E o hotel não se quer responsabilizar.

O que é ridículo! Como é que, roubam-me uma mala do quarto, e o hotel não quer assumir responsabilidades??? Nem é pela compensação monetária, é mesmo pelo princípio da coisa!!!

Ainda estou a ver no que isso vai dar. Mas cheira-me que é uma guerra perdida...

Ainda por cima não havia miúdas giras no raio da terreola...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Meninas do gás...

Há uns dias escrevi sobre uma passagem numa via verde, em que aparecia uma mensagem do tipo "obrigado, boa viagem", no ecrã onde surge a indicação do valor pago. E isto a um carro em que o valor era 0, como se tivesse passado sem a caixa da via verde.

Na altura ironizei, imaginando que mais um pouco e a via verde convidava os que entravam no Porto a visitar um bar de strip, por exemplo.

Agora vem a Galp com uma campanha em que dizer que quem mudar para a nova botija de gás em versão Light ("Pluma", dizem eles), se habilita a que a nova botija seja entregue por uma "menina do gás".

Menina do gás?

Quê, se eu desistir de ter gás canalizado em casa, vem a checa do anúncio da TV dar-me com a bilha?

Bem, não deve ser a checa, essa já deve pedir muita massa pra dar a bilha aos clientes.

Serão outras, então. E será que chegam a casa, e ao respondermos ao toque da campaínha, dizem "sou a menina que lhe vai dar a bilha"? Ou então "sou a menina que vem aquecer os seus duches"? É que se atende a mulher do dono da casa, a situação pode ser complicada. Ou não...

E depois? Aparece-nos uma modelo com uma bilha de gás, e faz a instalação? Será que eu confiava uma instalação de uma botija de gás a uma pessoa que, tradicionalmente, tem mais beleza do que miolos? (para não falar na destreza em trabalhos de pichelaria, que sempre foi uma falha no currículo de uma modelo que se preze) Não me parece...

E será que a miúda leva guarda-costas, para o caso do Quim Naifas se entusiasmar quando ela se baixar para ajeitar a bilha? É que estou mesmo a ver o português típico a pensar "eia, quando ela chegar, ofereço-lhe logo um copo de licor Beirão, para ela ver a classe do je... e depois, quando ela se baixar para colocar a bilha no sítio, pergunto-lhe se não quer ajuda com os tubos... e se disser que sim, zás! E quando acabar o servicinho (uns 25 segundos depois), saco de um Marlboro para ela ver a classe do Je..." Típico...

sábado, novembro 04, 2006

Vem aí o referendo...

Vem aí mais um referendo sobre o aborto. Mais um.

Só que o problema começa logo aí. O referendo não é sobre "o aborto". É sobre a possibilidade de uma mulher poder fazer uma decisão, que só por si nunca é fácil. É a liberdade de escolher fazer algo com o seu próprio corpo.

Claro que estamos a falar também de uma vida em potencial. Mas se não houver condições para dar a essa criança uma vida minimamente estável e que garanta um processo de crescimento normal, vale a pena? Há quem diga "vale sempre a pena". Que o digam as vítimas de assaltos, violações, assassinatos e afins cometidos por pessoas que "tiveram uma infancia difícil".

Já se viu que sou a favor. Quer dizer, sou contra um aborto, mas sou perfeitamente a favor da liberdade de escolha, porque uma criança indesejada pode estragar várias vidas, não só a da mãe, como a da própria criança, a do pai, dos avós, de todos em redor.

Mas tudo isto é treta. O "Não" vai ganhar de certeza. Isto por várias razões:
- A pergunta é demasiado extensa e confusa, e claramente com um discurso feito e dirigido a políticos. Um cidadão comum, com instrução mais baixa, não percebe patavina do que lá diz, e vai pelo que disse o padre no sermão da eucaristia dominical.
- Somos um país muito católico, e realmente os padres ainda têm muito poder, e podem influenciar a opinião pública com o que dizem nas missas. E a igreja, por razões óbvias, é contra a despenalização da interrupção da gravidez.
- Estamos a falar da despenalização da interrupção da gravidez. Porque ela vai continuar a existir, porque sempre existiu e sempre existirá, mas em condições degradantes e perigosas.
- Os partidos políticos da oposição, como sempre, são incapazes de de juntar ao governo no que quer que seja, por isso levam os seus apoiantes a fazer campanha pelo Não...

E é bom lembrar que estamos a falar da despenalização do aborto até às 10 semanas de gestação. Ou seja, interromper a gravidez aos 2 meses e meio. Muitas mulheres têm abortos espontâneos por essa altura, será que vão ser investigadas para ver se não foi propositado? Algumas nem se apercebem que estão grávidas nessa altura!

Valha-me Deus, nos restantes países europeus, os prazos vão desde as 12 semanas até às 25! E não foram necessários referendos, basta o governo ter essa intenção e promulgar os projectos-lei.

E depois vêm perguntar "e se a mãe do Einstein tivesse feito um aborto? E a mãe do Leonardo Da Vinci? E a mãe do Guttemberg? E a mãe do Mário Soares?"

Epa, com essa última, podia eu bem...