quarta-feira, novembro 17, 2010

Emoção em si bemol

Nos últimos tempos, tenho apostado em aproveitar mais a oferta cultural, não apenas da nossa cidade, mas do país.

Nesse sentido, e aproveitando uma oportunidade rara (que aparentemente foi um mal que veio por muito bem), fui ver os U2 a Coimbra. Grande concerto. Muito profissional (demasiado, diria eu), mas muito bom. Mas era tudo muito ensaiado, sem demonstrar grande emoção. Talvez a diferença tenha sido a música que o Bono cantava com o Pavarotti, quando este andava entre nós. O irlandês cantou-a em Coimbra (não está no DVD), e para mim, foi um dos momentos altos da noite.

Mais recentemente, fui ver dois concertos ao Coliseu do Porto. O primeiro foi do Seu Jorge & Almaz. Trata-se de uma colaboração entre o Seu Jorge (famoso tanto pelo CD ao vivo, fantástico, com a Ana Carolina, mas também pela sua participação no Cidade de Deus) e a banda Nação Zumbi, que eu praticamente já não ouvia desde que há uns 10 anos comprei o album Afrociberdelia, também uma colaboração deles com o Chico Science.
Já perto da fase final desse concerto, num encore supostamente improvisado em que surgiu sozinho, após cantar algumas músicas apenas com o seu violão, desata num relato de como saiu das favelas, deixando lá família e amigos, e que muitos deles ainda por lá andam. Disto, passou para alguns comentários sobre a situação de crise financeira que abraça a Europa, indicando que ficava afectado com a situação, ("pô, sou de carne e osso, né?", e remata com um "...e vocês gastaram todos dinheiro para me vir ver cantar", e desata a chorar. E é que não parava. Pousa a viola, e surgem os músicos de apoio, que o abraçam, e assim ficam perto de 1 minuto.

Já na semana passada, voltei ao Coliseu, para ver um dos dois concertos comemorativos dos 30 anos de carreira do Rui Veloso. Muito, muito bom, uma segunda parte fabulosa, lindíssimo dueto com o Pedro Abrunhosa. E chega-se à altura que todos esperavam: o Porto Sentido, música que se tornou claramente no hino não oficial do Norte (mais do que a Pronúncia do Norte, que também cantou em dueto com o Rui Reininho). E heis que no final do primeiro refrão, em que apenas cantava o início, e todo o Coliseu repetia em uníssono, ao chegar ao "...de quem mói o sentimento", larga um "ai, carago", e desata também a chorar, altura em que todo o público se levanta num barulho ensurdecedor, a agradecer ao homem o facto de ser um de nós, apesar de nascido na capital. (*)

Hmm... o próximo concerto a que vou será o dos Moonspell, acústico. Será que o Fernando Ribeiro também irá dar largas à sua capacidade lacrimal? Hmmm... não me cheira...


(*) - O momento da noite está registado em vídeo, não por mim, neste link: http://vimeo.com/16657372

segunda-feira, outubro 18, 2010

Loiras... elas andem aí...

Há mais de 1 mês que não deixava posts novos. A pachorra falta, o tempo para parar e registar alguma coisa também não abunda. E também acontece com alguma frequência reparar em algo que até é digno de registo, mas de que depois me esqueço.

Mas na semana passada, presenciei algo de que dificilmente me esqueço tão cedo, por isso deixo aqui o registo.

No final de um dia de trabalho, lá fui lanchar com um amigo, que depois fez o favor de me deixar no apeadeiro, a tempo de apanhar o combóio. Pensava eu que o combóio que sai de Braga às 19h35 não estaria tão cheio como os anteriores, mas à 6ª-Feira parece que todos os combóios vêm cheios de estudantes, cheios de malas enormes repletas de roupa suja para a mãe lavar. Não é uma crítica, apenas uma constatação, ou não fizesse eu praticamente o mesmo...

Entrei na carruagem, e de imediato vi um espaço com apenas uma pessoa. Em todos os grupos de 4 bancos, virados dois contra dois, havia duas pessoas ou mais, e faz parte da natureza humana procurar um banco com o mínimo de espaço disponível. Sentei-me logo, mas já lá vinha uma jovem, que deve ter tido a mesma ideia, mas vinha de uma entrada mais longínqua, pelo que quando chegou, já eu estava instalado. Lá se sentou em frente a mim.

A jovem até era interessante. Loira, bem arranjada, incluindo calças de ganga justas e camisa convenientemente escolhida para revelar o um pouco (sem ser "oferecida") do peito generoso. Um bom decote, digamos. Antes que comecem a imaginar coisas, a jovem devia ir para o Porto, ter com o marido, pois tinha aliança. Óptimo para ela. Adiante.

Após algum tempo de viagem, e nomeadamente depois de aparecer o revisor, tivemos o mesmo pensamento praticamente em simultâneo: está na hora de tirar o mp3 e deixar-nos embalar pela música.

A jovem loirita lá tira o seu Iphone e os respectivos headphones e coloca-os nos ouvidos. De imediato ouço a música a tocar.

"Mais uma a dar cabo dos tímpanos", penso eu, tal era o som que se ouvia.

Coloco os meus headphones, e entro para o mundo das claves de sol.

A certa altura, já depois de passar por Famalicão, reparo que, mesmo com os meus headphones colocados, consigo ainda ouvir a música dela.

E então reparo porquê...

A jovem tinha colocado os headphones ao contrário!!! Com a saída de som para fora!
Lá tinha conseguido prender os ditos nos lóbulos das orelhas, mas aquilo não é para qualquer um. Eu, se com headphones normais já tenho problemas em que se fixem, quanto mais se estivessem ao contrário!

Será que foi de propósito? Não consigo imaginá-lo, a jovem foi a causar uma pequena tortura à senhora que estava ao lado durante toda a viagem.

Nesta altura, é claro que me ocorreu registar o momento em foto.

Peguei no telemóvel xpto que comprei no início do ano. 1º fiz uma chamada real, para ajudar ao disfarce. Após isto, finjo começar uma nova chamada, quando na realidade estava a colocar o telefone em modo foto.
Tentei uma vez, mas devido ao touch-screen, quando encostava o telefone à cara este entrava para alguma função, que impedia o funcionamento da câmara. À 3ª tentativa disto, penso cá para mim "que se lixe!" e tento tirar uma foto directamente, como se estivesse à procura de qualquer coisa no telefone.

Sabia que a câmara não tinha o som do "click" activado, mas nunca me lembrei do flash...

...

A rapariga ficou especada com um olhar esbugalhado, como quem pensa "será que grito? será que lhe dou com a bolsa que tem o tijolo dentro?". De imediato pedi desculpa, e acabei por apagar a foto com o telemóvel praticamente virado para ela, de modo a que percebesse que estava a apagar. Ainda disfarcei mais um pouco, como se não soubesse muito bem trabalhar com o raio do aparelho, até guardá-lo, ainda embaraçado.

O pior é que acredito que a jovem tenha pensado que lhe tenha tentado tirar uma foto por ser atraente, e não por não saber usar os headphones... Bom, pelo menos fez-lhe bem ao ego, mas continua a ser pouco inteligente... (suponho)

quarta-feira, setembro 08, 2010

Descanso de férias

Aaahhh... férias...

É tão bom estar em férias... Não fui para lado nenhum, fiquei por casa, o que não é nada mau. Não há horário para levantar, não há ninguém a chatear para sair de casa a horas de ir para a praia, não há autocarro de excursão para apanhar.

Mas volta e meia a coisa corre mal. Hoje foi um desses dias.

Logo de manhã, acordo com a minha gatinha linda e fofinha, a dormir ao meu lado, na cama. Após algumas festinhas e um ronronar que sabe tão bem ouvir, viro-me para sair da cama, e o meu pé toca em qualquer coisa molhada. Pronto... esta gaja maldita já fez das suas, ainda por cima na cama!!! (note-se a passagem de bestial a besta mais rápida do que no caso Queirós)
Não foi bem o caso, após acender a luz vi que tinha vomitado. Ela, ocasionalmente, vomita o que come, suponho que tenha a ver com tipos de comida. E durante a noite lá lhe saiu, não pôde evitar. O facto da gosma estar numa extremidade da cama leva a crer que tentou sair da cama quando reparou no que estava para acontecer, mas não terá conseguido sair a tempo. Nota mental: nada de filetes de pescada para a gata nos próximos tempos.

Paciência, acontece.

Arranjo-me, faço alguns exercícios, numa vã tentativa de definir um bocadito o corpanzil, ouço um alarme na rua, mas ao olhar para fora não reparo em nada de especial, tomo um banhinho, visto-me, envio uns CV's, e ligo a um amigo para organizarmos o almoço em conjunto, tal como previamente combinado no dia anterior. Pede-me para nos encontrarmos às 13:15 no Norteshopping. Combinado. Como já não faltava muito, mas não me adiantava ir já, fiquei entretido a jogar um pouco de ténis na Wii.
Heis que chegam as 13:10, e desloco-me para o meu carro, estacionado à porta do prédio. Má sorte, tinha deixado os mínimos ligados, o carro estava totalmente sem bateria.
O alarme que tinha tocado de manhã, era o meu, a avisar que estava a dar as últimas.

Paciência, acontece.

Rapidamente fui buscar as chaves do carro do meu pai, que está permanentemente estacionado no meu lugar de garagem, aguardando pacientemente que a minha mãe ganhe coragem para voltar a guiar, e lá vou eu, já atrasado, para o almoço.

No regresso, estaciono junto do meu carro, e procedo às manobras de reanimação, com os cabos de bateria, que estão sempre na mala. Após ser bem sucedido na ressuscitação da minha viatura, e de a ter deixado correr o motor um pouco, lá desligo, e vou estacionar o carro do meu pai na garagem. Logo a seguir, volto para o meu carro. E nessa altura reparo que não deixei a bateria recarregar tempo suficiente, o carro acende as luzes mas não consegue ligar o motor.

Paciência, acontece.

Deixei o carro lá morto, e decido voltar às manobras de reanimação mais tarde, não vá os vizinhos repararem na cena e acharem que sou totalmente totó. Saio do carro com aquela pose típica do "está tudo controlado, era mesmo isto que eu queria fazer", e venho para casa.
Fui dar uma corrida ao parque da cidade, ao qual, mais uma vez, não consegui dar a volta completa sem parar. Ainda não tenho resistência para tal, começo a atrapalhar-me com a respiração e não aguento mais de 3 ou 4km. Que é como quem diz: à volta de 10 minutos.

Volto para casa, tomo um banhinho, e fico a ver o jogo de Portugal, em que a nossa selecção perde ingloriamente com a Noruega. Pronto, mais uns dias a falar no maldito caso Queirós. Eu não sou nada adepto do homem, mas isto que lhe estão a fazer é uma fantochada.

Após o final do jogo, saio de casa, e vou jantar ao Edifício Transparente. Janto como um alarve, na Cufra, e volto para casa. Tinha ido a pé para abrir o apetite, e fico contente por regressar a pé, para que a digestão seja mais fácil.

À chegada, como que num movimento contínuo, dirijo-me de imediato aos carros, estacionados lado a lado, e volto às manobras de reanimação. Deixo o carro correr um bom pedaço antes de desligar o do meu pai. Fecho-o, e entro no meu, para ir dar uma volta, para ter a certeza que a bateria recarrega o suficiente para que no dia seguinte não tenha problemas.

Basicamente, naquela do "já agora... anda-se mais um bocadinho", acabei por dar a volta ao Porto, não sem antes ir dar uma volta às imediações do Bairro do Cerco, por ter falhado a saída da VCI para o Freixo, e ter ido na direcção Gondomar. Ao fazer inversão de marcha, quase entrava directamente para o Bairro. Dizem que já não está tão mau, mas às 11 da noite, preferi não ir confirmar.

Passo ainda por casa dos meus pais, para trazer umas tralhas que lá tinha, e ainda bem que o fiz, porque enquanto lá estava deu-me para expulsar boa parte do jantar, numa forma que ainda ilude alguns cientistas, pois não era sólido, mas também não era bem líquido. Aaahhh, pelo menos sinto-me mais leve.

Paciência, acontece.

Venho para casa, contente pelo carro ter pegado quando o liguei, à saída de casa dos meus pais (tinha-o deixado à beira da garagem, porque se se desse o caso de não pegar, era fácil deixá-lo ali para o dia seguinte).

Estaciono a viatura no mesmo sítio de onde tinha saído, e venho para casa.

Ao entrar na cozinha, reparo que pisei merda. Não num sentido metafórico, como quem encontra uma situação que está mal, e vai lá torná-la pior ainda. Não, pisei merda mesmo. Calquei uma poia algures, provavelmente nesta parte final, à entrada do meu prédio. Para ajudar, estava de sapatos Wella, daqueles com uma sola jeitosa, cheia de rasgos onde o montezito de poia se pode enfiar livremente, mas dos quais é difícil retirá-lo, algo a que me dediquei, já perto da 1 da manhã, auxiliado por um jacto de água quente.

Paciência, acontece.................................... irrrrrra!

segunda-feira, agosto 30, 2010

Romenos pra casa!

A Europa e o mundo ocidental andam algo chateados com o Sarkozy por querer expulsar os ciganos romenos e búlgaros.

Agora veio também sua santidade o Papa apelar ao bom senso. Pois sua santidade nunca deve ter andado de combóio com uma catrefada romenos ciganos. Sua santidade e os opinion-leaders que reclamam deste acto bárbaro nunca devem ter inalado o ar fétido e pestilento, impossível de descrever, que fica entranhado nos tecidos das carruagens depois de uma horde de 20 ou 30 romenos percorrerem o trajecto Porto-Braga.

Mesmo nos dias em que não aparecem, o cheiro está lá...

E nem é só o cheiro. É o barulho. Por alguma insondável razão, não conseguem falar baixo, não conseguem manter uma conversa com um nível sonoro aceitável para uma situação social.

Sua santidade nunca deve ter tentado adormecer no final de um dia longo de trabalho e não conseguir pelos berros incompreensíveis. Nem lhe devem ter tentado vender sandálias Lacospe ou Reetruck. Muito menos deve ter tido que aguentar o banquete de frango às 7 da manhã, cujos restos fazem questão de atirar desde a porta da carruagem para um monte de lixo que se vai acumulando na estação da Trofa. Ou melhor, ia, porque com a estação nova não têm para onde atirar os restos.

É claro que este tipo de iniciativas é inútil, pois sendo a Roménia e Bulgária parte integrante da União Europeia e do espaço Schengen, terão todo o direito de voltar a França, passado pouco tempo. A meu ver, a opção mais justa e quiçá humanitária seria tentar integrar este povo na sociedade, com formação e apoio social. Mas isso custaria dinheiro, e os outros todos que estão em casa a receber o RSI (pois esse não é um mal exclusivamente português), pensam "então estes vêm de fora e ainda são ajudados? Então e eu, que sou nativo???". Pois, mas esses não cheiram a presunto rançoso, até porque o RSI dá para pagar shampoo, o gel de banho, a loção pós-banho, a massagem no spa, o mercedes para ir até ao spa, etc, etc...

Mas não posso culpar o baixito presidente de França. Sua santidade, já que curte lavar uns pézinhos uma vez por ano, faça algo de útil à sociedade venha para a estação de Braga, já que perto da estação central tem uma bomba de gasolina, onde a horde romena costuma lavar os pés após a longa e desgastante viagem...

PS: Antes que me acusem de xenofobia, já conheci romenos muito porreiros... e não tenho nada contra os ciganos! Dá-lhe Quaresma!!! :)

quarta-feira, agosto 18, 2010

SCUTando...

Já vamos a meio de Agosto, e ainda não foram introduzidas as portagens nas SCUT. O projecto de obrigatoriedade dos chips nas matrículas foi cancelado na Assembleia da República, sendo agora apenas facultativo. E não se sabe se os residentes serão isentos (o que seria a maior parte dos utilizadores!), e como cobrar aos estrangeiros. O normal neste país.

No fim deste texto, apresenta-se as taxas de portagem para a zona do Porto. Se alguém quiser, também tenho as da costa de prata e norte litoral.

Oras... fazendo as contas, a opção mais barata, para o percurso que faço todos os dias, seria pagar 0,70€ por trajecto, ou seja, 1,40€ por dia. Hmm... façamos contas... noves fora... tal e coisa... num mês de 21 dias úteis, isto seriam 29,4€ de rombo no orçamento.

Bom, dizem os de Lisboa que já que eles têm auto-estradas pagantes, nós também temos que pagar as nossas. Mas reparemos que a extensão da A4 até Matosinhos poderia ser equiparada ao Eixo Norte-Sul na capital. Enfim, um Eixo Este-Oeste... E o de lá de baixo não é portajado.

Note-se que eu nem discordo com o pagamento das SCUT’s. Mas a filosofia de “vamos criar uma auto-estrada sem custos hoje, e daqui a uns anos talvez se venha a pagar” é que me faz confusão. Se as pagássemos logo desde início, ninguém reclamava. Claro que nesse caso, nunca lhe poderíamos chamar “SCUT”. Se calhar foi isso: alguém inventou a sigla e quis ficar na história por isso, mesmo sabendo que depois passariam a “CCUT” (Com Custos para o UTilizador...), o que já não soa nada bem. Mas pagar agora, passados vários anos, não faz sentido.

Claro que não está em causa a “via alternativa”, que alguns dizem ser a razão para não devermos pagar as vias novas. Isto é ridículo. Dizer que não há alternativa é dizer que a Maia está inserida numa ilha coberta de água, e a única forma de lá chegar é pelo IC24 (A28) ou A4... É claro que podemos seguir pelas estradas nacionais, e demorar mais 2 horas para fazer Porto-Valença, por exemplo. Só paga para chegar mais depressa quem quer, ou quem precisa. É lógico.

Por mim, vou boicotar a iniciativa governamental. Mas não me vou envolver em buzinões que só dão cabo da paciência a quem usa a estrada, nem em greves que só servem para perder 1 dia de salário. Simplesmente, assim que se iniciar o pagamento, evitarei ao máximo as portagens, e passarei a percorrer o caminho mais longo, que envolve a VCI, que é como quem diz, vou demorar bastante mais tempo a chegar a casa, ao final da tarde. Já antevejo o regresso aos bons velhos tempos, em que para chegar de Ermesinde à Foz, ao final da tarde, demorava mais de 1 hora. Não é que não concorde com as medidas de austeridade para ajudar o país a sair da situação em que está, mas também gostava de ver medidas como a da redução de salários dos governantes, incluindo os Secretários de Estado, como em outros países (medida envolta em grande polémica por cá...). Ou seja, que se combata a despesa, ao invés de procurar mais receita...

segunda-feira, agosto 16, 2010

A virtude na estrada

Todos os anos se fala no número de mortos nas estradas portuguesas.

Culpa-se o excesso de velocidade. Às vezes o estado das estradas.

Eu não concordo. É verdade que muitas estradas podiam ser feitas "como deve ser", e não remendadas com bocados de alcatrão martelado, que sai com a primeira chuvada. É verdade que muita gente ainda ganha muito dinheiro com alterações ao que estava estipulado no caderno de encargos, o que invariavelmente resulta em pisos a abater e falhas graves no pavimento.

Mas eu ainda acredito que a maior parte dos acidentes na estrada ocorrem porque os condutores não têm cuidado, e muito menos civismo. Todos conhecemos imensa gente que se acha um Fangio na estrada, e melhor do que todos os outros. Todos são burros, excepto o típico Tuga F1. Para ele, a estrada é uma pista, é uma extensão do seu ser, e a sua máquina nada mais do que o seu membro sexual, pois é com ela que gosta de se vangloriar às mulheres e causar inveja aos outros homens.

Mas isso vem muito da educação que é dada aos futuros assassinos, oops, queria dizer condutores.

O exemplo que aqui apresento é uma foto tirada por mim, na zona final da A4, já a chegar a Matosinhos. Um jovem aprende a conduzir exactamente pelo meio da estrada. Essas indicações de "conduza pela direita" são para os tansos, "porque pode sempre aparecer um idiota disparado da direita, e aqui no meio tens boa visão para toda a estrada", dirá o instrutor.

Poderão dizer alguns mais atentos "ah e tal, mas logo a seguir ele vai ter que se chegar à esquerda, para seguir para Matosinhos, senão vai para o Porto". A questão é que eu já vinha atrás deste supra-sumo da condução há algum tempo, sempre pelo meio da estrada. "ah, mas daqui a 5km vais ter que te chegar à esquerda, por isso vai-te chegando", diria o instrutor, feliz por ensinar o jovem a prever o futuro... e todos os outros que se lixem!

quinta-feira, julho 22, 2010

Os Vips também se encontram

Num país pequeno, e com a proliferação de pseudo-vips que decorre actualmente na nossa sociedade, não é tão difícil e improvável encontrar pessoas conhecidas em locais públicos. Basta ir a alguma discoteca badalada e lá estão eles, na "zona vip", a empaturrarem-se de acepipes e bebidas gratuitas, enquanto o zé povinho paga para poder dizer aos amigos que os viu na noite.

Mas às vezes acontecem cenas caricatas.

No domingo passado, após ver o jogo de apresentação de meia equipa do FCP, tinha ficado combinado encontrarmo-nos no Arrábida, para uma sessão de cinema. Mas como algumas pessoas não conseguiram sair do parque do Dolce Vita, acabamos por rumar para lá de novo. Vimos o filme novo do Tom Cruise e com a Cameron Diaz (digo "do Tom" porque ele é produtor do filme, por isso, tecnicamente, o filme é mesmo dele). Entretido e nada mais que isso.

À saída, quase toda a gente tinha o carro em locais diferentes. Eu tinha o meu no -2. Saí do elevador, despedi-me de um amigo que tinha o carro perto dessa entrada do shopping, e dirigi-me para o meu carro, que estava junto a outra entrada.

Diga-se que a 2ª cave do parque de estacionamento do Dolce Vita, por volta de uma meia-noite de Domingo, tem muito pouco movimento...

Enquanto me dirijo para o carro, reparo em 3 vultos negros, que andam também no parque. Parecem... estranhos, todos de negro, meio alternativos.

À medida que me vou aproximando do carro, eles também vão ficando mais próximos, e parecem-me familiares... e também me parecem perdidos.

Olho pelo canto do olho e de facto reconheço! São a Sónia Tavares (dos Gift), o Fernando Ribeiro (dos Moonspell) e outro que não conheço, provavelmente também parte dos Amália Hoje, projecto dos dois primeiros. Ouço-a dizer "vamos atrás daquele senhor, parece saber para onde vai..."

Exceptuando o desagrado pelo "senhor", achei piada à coisa, parei e virei-me para eles.

"Estão perdidos, suponho?"
Ela: "Sim! Completamente! Só queremos encontrar uma saída para a rua!!!". Por acaso a rapariga parece ser simpática.

Indiquei-lhes a entrada à beira do meu carro, tinha escadas que davam acesso ao shopping. Assim que viram as escadas, agradeceram e desataram a correr por ali acima, como se não houvesse amanhã.

Estavam lá para servir de júri num concurso de bandas amadoras, e acabaram por se perder no final daquilo tudo.

Bom, pode ser que no próximo album dos Amália Hoje, deixem lá "um agradecimento muito especial ao senhor alto de cabelos grizalhos, porque sem ele ainda estaríamos às voltas no parque do Dolce Vita, por esta hora!"...

terça-feira, junho 22, 2010

Aos meus amigos: Obrigado

Na semana passada, fiz 35 anitos.

A meu ver, considero que entrei agora, oficialmente, na meia-idade. Afinal, se depois dos 70 já não só “o” conseguir levantar com Viagra, a vida deixará de fazer muito sentido. Deve ser muito complicadinho para a psique de muitos homens ter que pensar “ok, se daqui a 3 ou 4 horas há a remota hipótese de ter uns minutos de sexo com aquela sexagenária boazona, então tenho que tomar a pastilha azul agora. Se correr mal, lá vou ter que andar à cowboy, com cuidado para não cair para a frente com o peso...”.

Bom, mas isso agora não interessa nada.

Nestas alturas de aniversários, é normal o ser humano envolver-se num processo altamente masoquista e deprimente: a retrospectiva da vida até agora. A velha máxima filosofal do “Quem sou? De onde vim? Para onde vou?”. Não sou daqueles auto-iludidos que com falsas modéstias dizem “eu? Eu não me arrependo de nada, não mudava nada na minha vida”. Nada disso. Se há coisas que são naturais da idade (leia-se: erros naturais da idade da parvalheira), pelos quais toda a gente passa e sem eles não podemos evoluir e crescer, há outros que poderiam ser perfeitamente evitáveis. E tenho algumas situações dessas, há claramente coisas com as quais acho que poderia ter lidado de forma diferente (para melhor, diria mesmo para muito melhor). E claro, há esse evento ao qual cheguei escandalosamente atrasado, e que me poderia ter mudado a vida toda. Até o próprio facto de estar a escrever isto num combóio, às 7h30 da madrugada, tendo como companheiro de viagem um cinquentenário com (aparentemente) alguns problemas em manter o catarro do fumador dentro da goela, além das personagens de sempre, me leva a pensar que mesmo profissionalmente, a coisa poderia ter resultado melhor.

Bom, mas o facto é que, por considerar que a data possui alguma relevância, tentei juntar alguns amigos para uma bela noitada. Não pude juntar todos, pois seria logisticamente impossível, mas pelo menos aqueles que mais me têm acompanhado nos últimos tempos. E foi muito bom. É bom sentir o carinho de quem trabalha connosco, e de quem já nos acompanha há uns anos. Durante o jantar disse a uma pessoa que a maior parte das coisas na vida vâo e vêm, mas os (bons) amigos ficam. É um cliché, mas é bem verdade. Estava a precisar desse reforço positivo, deu-me forças para seguir em frente, depois de um ano muito complicado. E, para já, nem preciso de ouvir falar em Viagra....

Há uns dias, respondia a um comentário de uma amiga, pelo Facebook, sobre a solidão, indicando que apesar de me considerar um solitário, não me vejo como uma pessoa sozinha, a meu ver são conceitos totalmente diferentes. A isso se devem as pessoas que nos rodeiam e enchem a nossa vida com motivos para a encarar com um sorriso.

Isto para dizer que, apesar de alguns arrependimentos, apesar de algumas coisas poderem ter corrido melhor, sinto-me bem. A culpa é vossa: obrigado, amigos!