quinta-feira, agosto 25, 2016

Portugal Olímpico

Terminaram há poucos dias os Jogos Olímpicos de 2016. Como sempre que há estes grandes eventos, chegamos agora à altura em que toda a gente reclama de termos ganho poucas medalhas.

Sinceramente, acho que toda a gente devia ser um pouco mais como eu. Eu sou pessimista. E nestas coisas de grandes eventos desportivos, ainda mais. Parto sempre com a ideia de que vamos perder, e por muitos. Ou, no caso dos Olímpicos, que vamos ser eliminados à 1ª oportunidade.

Assim, caso ganhem alguma coisa, ou cheguem a um 6º lugar numa competição que à partida tinha centenas ou mesmo milhares de atletas (se contarmos com as provas de qualificação para os olímpicos), então já será motivo de festa.

Há que recordar que a grande maioria destes atletas são perfeitamente amadores. São pessoas como eu e quem quer que seja que lê isto, mas que saem de casa às 5 da manhã para ir treinar, antes de ir para o trabalho. E que ao final da tarde vão treinar novamente, antes de chegar a casa já de noite. São pessoas que, na grande maioria dos casos, fazem isso sem receber nada em troca. 

Não creio que ninguém tenha o direito de criticar os nossos atletas. Ok, excepto talvez aqueles casos em que alguém foi para os olímpicos sabendo que estava lesionado e que dificilmente poderia competir, e assim roubou o lugar a outro que poderia ter feito bastante melhor.

Sendo alguém que já passou a barreira dos 40, lembro-me de outros tempos, sim.

Lembro-me de tempos em que apenas tínhamos hipóteses de ganhar alguma coisa ou na vela (mau era, com a nossa costa!), ou no atletismo de fundo, que é como quem diz: aquelas provas de atletismo em que só ganha pessoal de países do 3º mundo. Nestes últimos jogos, bem como nos anteriores, as coisas já se inverteram, já tivemos medalhas, ou perto disso, em disciplinas como o triplo salto, e já ficamos longe de bons resultados nas maratonas (e vê-se tanta gente a correr na Foz ao final da tarde...). Às tantas é um sinal dos tempos e da nossa evolução na sociedade mundial, estamos a entrar nos desportos de países mais evoluídos.

Lembro-me desses tempos... da Rosa Mota na maratona em Seul... do Fernando Mamede a desistir dos 10.000m em Los Angeles... do Carlos Lopes a ganhar a maratona nesse ano...  Ok, já não me lembro da medalha de prata do Lopes nos J.O. de Montreal, em 76. Talvez porque tinha 1 ano, e não tinha grande interesse nessas coisas.

Mas lembro-me da nossa medalha de bronze em berlinde, nos jogos de Atlanta, em que o saudoso Zé Faria só foi afastado da grande final quando o atleta do Uzbequistão usou de forma muito duvidosa o seu abafador, naquela altura em que o árbitro se distraiu com a loira peituda nas bancadas (que a meu ver, tinha bastante ar de uzbeque).

E lembro-me da nossa medalha de prata na malha nos jogos de Pequim em 2008, quando o Ti Manel Padeiro conseguiu a passagem à final ao ganhar ao atleta argentino após ter desiquilibrado este último com um ligeiro toque da sua proeminente cavidade abdominal no pé de apoio do atleta das pampas, que fez com que a malha fosse parar ao parque de estacionamento. Consta-se que o árbitro não reparou, apesar do protesto do atleta sul americano, por estar distraído por uma loira pouco peituda mas provocante, nas bancadas. Não, não era uzbeque, mas sim uma brasileira recrutada em Lisboa 2 anos antes, de seu nome Angélica Cristina Ribeiro, que ficou para sempre conhecida na selecção de futebol e pelo Oliveirinha como a menina Paula. O Ti Manel não quis saber e foi à final, apenas perdendo quando no último lançamento, que lhe iria certamente dar a vitória contra o atleta japonês Aikidoi, a malha ficou presa na unhaca que usava para descascar kiwis, o que levou à sua desqualificação. Ainda assim, foi uma prestação meritória, tendo o atleta sido recebido em ombros pela população, no aeroporto de Lisboa, e tendo recebido a mais sentida homenagem através do crescimento das unhacas desenvolvido pelas meninas da ribeira do sado.

Ah, e quem poderia esquecer esse verão de 1988, onde em Seul o atleta espanhol naturalizado português Pepe Lopez Bufarte , atleta da divisão de bilhar do FC Porto, ficou a escassos milímetros de conseguir a medalha de bronze em bilhar de bolso, quando falhou inacreditavelmente o último movimento do direito, que em vez de passar por baixo do esquerdo enquando coçava a micose inferior (que tanto tempo tardou a ser desenvolvida, no estágio em PyongYang), acabou por recolher e assim perder impulso. Ainda hoje muitos nos lembramos do treinador, histericamente aos berros "Oh Lopes Bufa! Bufaaa!", para tentar que o direito voltasse a sair a tempo da manobra, mas sem sucesso, já que o raio do espanhol pensava que o treinador apenas o estava a chamar para ir conhecer a loira que se achava provocante e peituda sentada nas bancadas, mas afinal era só uma jovem Carolina Salgado.

São coisas que só acontecem a quem lá está. Ou não.


segunda-feira, setembro 21, 2015

Há poucos dias, faleceu a minha avó materna. Isto seria, em situações normais, uma notícia estremamente triste, mas neste caso nem o é. Isto porque a minha avó já estava doente com alzheimer há alguns anos, num ponto em que se limitava a respirar, alheia de tudo o que se passava à volta.

Mas isto implica velório. Numas instalações à beira da igreja da Lapa. Estreadas há poucos meses, catitas, limpinhas e com uma decoração de bom gosto, longe do ambiente soturno e morbidamente cinzento das igrejas. Depois de algumas horas, naturalmente, deu-me uma certa fome, ou não fosse já perto das 9 da noite. A família não queria comer nada, mas eu lá me decidi a sair e ir procurar por um lugar onde comer.


Era noite do mini-festival D'Bandada, que acontecia por toda a baixa do Porto, pelo que, naquela zona da Lapa, todos os restaurantes estavam cheios de juventude animada, e eu não estava para ouvir miudos às gargalhadas e barulheira. De modo que continuei o meu caminho. Pensei em ir ao Bufete Fase, que para mim tem as melhores francesinhas da cidade, mas além de já ter comido esta iguaria no dia anterior, em teoria seria também um local cheio de gente. Vai daí, resolvi subir até ao Marquês. Nessa altura, deu-me vontade de comer um frango no churrasco, ou em bom português; um bom pito, com arroz e batata frita, à tuga mesmo.


Chegando ao Marquês, dei uma volta à procura de um resturante que me "chamasse". Alguns fechados, outros com uma arquitetura com "sala de jantar no 1º andar", que obrigava a entrar e subir as escadas, para perceber se tinha lugares. Algo que não me apeteceu fazer, estava numa de entrar num local, sentar-me ao balcão, pedir e vir embora.


Após andar um pouco, lá encontrei um local que aparentava responder a estas premissas. Da rua, via-se o balcão, via-se que tinha lugar, e até que tinha uma TV a transmitir o jogo do Arouca-FCP. "É já aqui", penso eu.


Entro, sento-me no final do balcão, ao lado de uma coluna (mais próximo da TV, ou não fosse o fcp o meu clube). Imediatamente senti-me como num daqueles Westerns-Spaghetti, em que quando entra o forasteiro, pára tudo e ficam todos a olhar para o estrangeiro... Mas enfim, estava ali para comer. O empregado vem ter comigo, e olha para mim de lado, sem nada dizer.


"É para jantar".


O homem faz menção de pegar na lista, mas digo-lhe que não vale a pena, vai ser meio frango, arroz e batata. Isto parece ter revelado ao homem que eu, apesar de "estrangeiro" e demasiadamente bem arranjado para aquele local (vesti-me bem porque, que diabos, era a despedida da minha avó), à partida seria boa gente, porque enquanto se virava para ir buscar o prato e talheres, repetiu "ok, meio franguinho". O diminutivo revela sempre um estado de alma mais relaxado.


Nessa altura, percebi porque me tinha olhado de lado.


Era estrábico. Fortemente.


O restaurante tinha o grelhador ali mesmo, no piso térreo, mas a lavagem do material seria no andar superior. Têm um elevador de pratos, que também serve de intercomunicador, porque quando era necessário pedir pratos de sobremesa, por exemplo, o pedido era feito espetando a cabeça lá dentro, e mandando um valente berro, na esperança que lá em cima o ouvissem. E vice-versa (não havia pratos de sobremesa limpos).


Enquanto esperava pela comida, finalmente olhei em redor, algo que ainda não tinha feito. E reparo que atrás de mim, a ocupar todo o restaurante, há uma mesa em U, com algumas pessoas bem arranjadas, o que me levou a pensar que ou seria um aniversário, ou até uma festa de casamento. Ou talvez um baptizado. O que percebi é que tinha vindo parar a um local que, para quem fugiu da D'Bandada, talvez não tivesse sido a melhor opção. Até porque pouco tempo depois, há uma senhora que se levanta, e dirige-se para o outro lado da coluna ao meu lado, onde estava um órgão, do qual não tinha dado conta até então.


E começa a tocar.


E tocava o quê?


A música que mais seria de esperar num "evento" desta magnitude. De tal forma, que tive que registar em vídeo a cena...




"E saí eu de um velório para isto???"...






quinta-feira, julho 16, 2015

Não vou pôr isto no Facebook

Não vou postar isto no Facebook.

Hoje em dia põe-se tudo e mais alguma coisa no Facebook. Então nesta altura de verão, o pessoal acha que toda a gente, principalmente os que estão a trabalhar, tem que saber que estão na maior, numa qualquer praia solarenga, que tanto pode ser do Caribe, do Brasil, ou de Lavadores.

Há uns tempos, alguém dizia que fotos desse tipo não são selfies, mas sim "braggies", o que vem do termo inglês "to brag", que basicamente quer dizer "gabar-se". Ou seja, o pessoal gaba-se que está de férias, e como não acredito que alguém pense "vou pôr isto no FB, para que todos os meus amigos fiquem felizes por eu estar a curtir", só posso acreditar que o pessoal põe isso para fazer inveja a toda a gente que vê. Logo, fotos de pernas na praia = é uma braggie. Fotos em frente a um monumento, principalmente quando este é no estrangeiro = é uma braggie.

E depois há aquele pessoal que resolve dizer "Bom dia!" ou "Vou dormir, boa noite!" ao mundo, como se isso tivesse algum interesse. Para não falar de outras coisas, tipo...
"Ah e tal, agora estou a fazer ameijoas à Bolhão Pato"
"Estou a ver a Guerra dos Tronos, e não estou a gostar que o Jon Snow tenha morrido"
"Tomem lá uma música de que gosto muito"
"Estou a obrar, e está-me a custar"

Ok, o último talvez tenha sido um pouco exagerado. Mas pouco deve faltar para o pessoal começar a descrever as suas funções escatológicas, seja no Facebook ou no Twitter.

Não sinto essa necessidade. Não tenho qualquer vontade de causar inveja aos outros. Isso já acontece sem que eu faça muito por isso, quando algum amigo indica que está comigo em alguma festa nocturna. E nessa altura, boa parte das minhas amizades casadas (ou apenas comprometidas) tem o tal pensamento do "este gajo é que está bem". 

Mas hoje, estava eu a acabar uma apresentação em Powerpoint, e ao colocar a data na 1ª página "16-07-2015", ocorreu-me como uma chapada na cara: hoje é dia 16 de Julho. 
Isso não teria nada de mais, se não fosse o aniversário do meu progenitor, que deixou este planeta em 2009, e que muita falta me faz.
Com o efeito da chapada, algumas lágrimas atrevidas chegaram ao parapeito da pálpebra, mas uma inspiradela mais profunda fê-las voltar para o conforto de casa. Faz-me falta, catano, e não é pouca.

Não sendo religioso, fica difícil acreditar que "está lá em cima a olhar cá para baixo". Até porque isso deve causar vertigens. Fica difícil acreditar que continua a olhar por mim, algures. Bom, desde que não o faça quando estou na casa de banho, ou em algum momento íntimo, tudo bem. Fica difícil perceber que não está lá, porque tantas vezes me esqueço, tal era a constância da sua presença.

Mas não vou pôr isso no Facebook. Já o fiz, em anos anteriores, mas já me fartei disso. O pai era meu, a dor é minha. E sei que pouca gente lê este blog, principalmente nesta altura, após uma enorme inactividade.

Mas já sinto aqui um vento a querer sair da minha cavidade retal, fechada a 7 chaves pelo meu valioso esfíncter. Olha, se calhar vou ali pôr isso no Face e já volto...

quarta-feira, abril 09, 2014

A problemática de seguir o chefe

Um destes dias, saí da fábrica logo a seguir à minha superior hierárquica. E tal como ela, em vez de ir pela Nacional, decidi-me a ir pela Auto-Estrada. Normalmente vou pela Estrada Nacional, para poupar o 1€ de portagem da SCUT, mas como naquele dia não estava com grande paciência para o trânsito da estrada, fui pela via mais rápida.

Entrando na auto-estrada, deparo-me com um dos mais velhos dilemas que assolam as relações patrão-empregado: a minha chefe conduz de forma mais lenta que eu, por isso devo ou não devo ultrapassá-la?

Convém aqui dizer um pequeno aparte, para explicar que a empresa onde laboro tem muito bom ambiente de trabalho. Toda a gente se entende bem, e isso inclui as relações entre chefias superiores e intermédias. Mas isso não quer dizer que não devemos estar atentos às pequenas situações do dia-a-dia, que por serem mal entendidas podem facilmente levar a situações mais chatas. Uma graça (o chamado bitaite) que temos com um colega de trabalho do mesmo nível, pode não ser necessariamente entendida como tal por um superior, habituado talvez a outro tipo de trato. É a tal da inteligência emocional em pleno: saber lidar com toda a gente não quer dizer lidar com toda a gente da mesma forma.

Voltemos à estrada. Passam-me as várias hipóteses pelo pensamento:

- Se não ultrapasso, arrisco-me a demorar quase tanto pela auto-estrada como se fosse pela Nacional. Não é que ela conduza muito devagar, mas também não é uma Michelle Mouton.

- Se ultrapasso, posso ser visto como um “acelera”, um desmiolado sem amor à vida, que se comporta na estrada como se fosse o rei de Sealand(*), com as óbvias implicações profissionais. É que muitas vezes mudamos de comportamento quando saímos porta fora da empresa, para assumir uma postura mais relaxada, mais “caseira”, ou até mais louca, até ao momento em que nos aparece um colega ou chefe pela frente, e ficamos sem saber como nos comportar.

Ok, decido-me a ultrapassar. 

E agora? Ultrapasso sozinho? Ou aguardo para que passem outros carros, para ir junto e assim, talvez, passar despercebido?

Decidi-me pela 2ª opção. Aguardei uns segundos para que passassem outras viaturas, inseri-me na fila e lá fui à minha vida. Assim, pelo menos, não pareço um acelera isolado, sou mais um na manada. 

Mas isso fez-me pensar noutras situações similares: e se encontrasse um chefe numa casa de banho pública? E se andasse aos encontrões num concerto de música, para tentar chegar à frente, e de repente reparasse que a pessoa a quem estava a passar por cima era um superior hierárquico? E se a pessoa que também estivesse a olhar para o último Kinder da prateleira do supermercado fosse o chefe??? Bom, aí podia bem ficar com ele, não vou daqui à esquina para comer doces... E ainda bem que a Ryanair já tem lugares marcados, senão era chato ir a correr com o chefe, pela pista do aeroporto, para arranjar os melhores lugares. E aí, ultrapassava ou deixava-me ficar?...


(*) Para quem não sabe, o “principado de Sealand” é uma zona auto-proclamada como tal, ao largo da costa britânica (Sudeste). O senhor Paddy Bates ocupou, em 1967, uma pequena instalação naval inglesa, abandonada após a 2ª guerra, e proclamou a independência da zona. Como, na prática, esta ficava fora da zona de jurisdição da justiça britânica, ninguém o chateou muito. Tem uma população de 50 habitantes, hino, moeda própria, e até uma equipa de futebol. Só não sobra ninguém para assistir aos jogos. Mas após a morte do “Rei Bates”, o filho não lhe seguiu as pisadas, e o território está actualmente à venda.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Adeus Fernando, até depois!

Eu sei, eu sei, não tenho colocado aqui nada, há bastante tempo. Mas a inspiração não tem sido muita, hoje em dia o mais habitual é dizer alguma palhaçada durante o dia, mas não me lembrar do que era, quando me sento no pc, à noite...

Mas enfim, esta semana deu que falar o "desabafo" do João Tordo, pelo seu pai, o famoso cantor Fernando Tordo, ter emigrado para o Brasil, por apenas ter uma reforma de 200 e tal euros.

Para quem quiser, aqui fica o link para o seu blog.

Já me acusaram de ser do contra, mas...

Li o texto do blog, e, talvez em desacordo com todo o restante da população portuguesa, não consigo concordar a 100% com aquilo. 
Note-se: É óbvio que sei que a coisa não está fácil, que há muita gente a passar dificuldades, sem dinheiro para comprar medicamentos, crianças a sofrer com os dois pais desempregados, etc. 

Mas lamento: o caso do Fernando Tordo parece-me ser perfeitamente paradigmático do estado do nosso país. Um país em que, durante muito tempo, se gastou mais do que o se devia, e agora não tem dinheiro para se aguentar, parece-me semelhante a um artista com 50 anos de carreira, que, aparentemente, não soube poupar o suficiente e agora tem uma reforma miserável. Custa-me muito a crer que o grande Fernando Tordo ganhasse tão pouco nos incontáveis espectáculos, nos programas de televisão e de rádio, para agora apenas ter 250€ de reforma. Mas desejo-lhe toda a sorte lá pelo Brasil. E espero que não tenha problemas de segurança.

quarta-feira, outubro 16, 2013

Ode à Francesinha

Hoje é o Dia Mundial da Alimentação.

Naturalmente, a maior parte das pessoas querem lá saber. Mas é obrigação dos departamentos de Recursos Humanos das empresas realizarem qualquer tipo de acção alusivo ao tema. No caso, temos hoje uma ementa especial na cantina (alegadamente mais saudável que o habitual), e o dep. de RH enviou um e-mail com alguns pontos para reflexão, sobre o que comemos. Diria mesmo que falta pouco para nos dizerem "tu és o que comes".

Mas como eu sou daquelas criaturas que preferem o bem que as coisas sabem ao mal que fazem, resolvi ripostar.

E na sequência de uma conversa do dia anterior, lembrei-me de dizer que "eu gosto é de francesinhas!". Mas claro, não o poderia dizer de forma tão bruta, tão primitiva. Vai daí, deixei um poema para a posteridade...

Ode à Francesinha

Oh, querida Francesinha,
Que teu molho me queime o esófago
Que a salsicha não seja pequenina,
E o picante não me leve ao sarcófago!

Oh, querida sandocha do Porto,
O teu queijo conforta-me a alma...
Há quem goste de a fazer com porco,
Mas aí eu digo: “vamos lá com calma!”

Oh, grande bomba calórica,
Que tantos seguidores tem,
O molho deixa qualquer mulher eufórica,
Excepto, claro, a minha mãe.

Oh, francesinha desejada,
Que fazes tão mal ao corpo,
Incompreensível seres tão amada,
Só podia acontecer no Porto.

Oh, francesinha deliciosa,
Que na dieta dá grande lanho,
E depois de comer, já fico sem prosa,
Acabo mas é a noite na casa de banho!!!

sexta-feira, agosto 16, 2013

Finalmente chegou o dia!

E pronto, depois de uma crise política que causou mais uma onda de desconfiança contra o nosso país, e da qual o único vencedor foi um tal de Paulo Portas, que desde então ninguéjm sabe onde pára, nada melhor do que o grande acontecimento do dia de hoje: o regresso do campeonato nacional de futebol, época 2013/2014.

Isto é uma grande notícia para o país, e para o governo! Senão, vejamos:

- Num instante, deixa-se de se falar em Swaps, Scuts, Ministros com passados corruptos, etc, para passarmos a falar do penalty que não foi, ou daquele fora de jogo do Braga contra o Paços de Ferreira, que os portistas dizem que não foi, enquanto os benfiquistas dizem que foi;

- Voltam as agremiações populares, volta o bom velho hábito português de nos juntarmos todos à mesa... do café, enquanto gritamos impropérios à televisão, junto a grandes amigos que conhecemos ali no momento, e em estabelecimentos cujo pagamento da SportTV se reflecte no preço do cimbalino; Claro está que, agora com a BenficaTV, esse néctar negro verá o preço agravado. Mas o Zé perdoa, porque o que interessa é ver a bola e, afinal, além do café ainda vem mais meia dúzia de minis, e um pratinho de tremoços;

- Os juízes dos tribunais também agradecem, pois podem voltar a julgar casos fáceis, como o defesa do Arouca que agrede o avançado do Estoril com um piparote na orelha, à entrada dos balneários (porque já é fora do terreno de jogo e, como tal, entra no campo civil), ou a mãe do árbitro que agrediu o Tony do bar do clube de 3ª divisão à 2ª vez que este chamou um nome feio ao seu filhote amblíope, em vez de terem que se preocupar com ucranianos bêbados a atirar frigoríficos pela via pública acima ou deputadas municipais bêbadas a conduzir. Assim, eles próprios já podem beber um pouco mais;

- É um acontecimento tão importante, que o nosso próprio Primeiro-Ministro vai dar o seu show de optimismo moderadó-negativista  na festa do Pontal, no mesmo dia de arranque do campeonato. Espera ele que haja mais gente a ver o Paços de Ferreira-Braga do que no calçadão de Quarteira.;

- A companheira do Pinto da Costa poderá descansar um pouco, por ele regressar ao acompanhamento da equipa, depois de dias e dias a ouvir o seu amor a declamar poesia, porque se presume que terá conquistado o coração azul e branco do presidente ao exclamar a já famosa frase “ai amô, quando você fala assim, você mi excita... seu safado!”;

- O LF Vieira, ilustre e eloquente presidente do benfica também poderá matar as saudades dos bitaites diários, das trocas de insultos mais ou menos disfarçados, ao regressar ao convívio com os restantes presidentes de clubes, principalmente o rival aqui do norte. Mas agora vai entrar de peito feito, ou o seu canal não se prepare para transmitir as derrotas e/ou as vitórias sofridas do SLB no estádio da Luz. Não é qualquer um que se dá ao luxo de transmitir os seus próprios adeptos a mostrar lenços brancos ao treinador e direcção.

E ainda temos o estreante, o “rookie”, o tal do Bruno de Carvalho, que entrou a 100 à hora, contra tudo e contra todos, mas que depois das primeiras derrotas da equipa de futebol, já deve estar a consultar o professor Bambo para saber se aguenta até ao Natal...

Aaaahhhh, que saudades tinha eu, do campeonato de futebol!!!


segunda-feira, maio 06, 2013

Teatralidades


Eu sou um rapazito que tem alguns problemas em sentar-se em certos e determinados sítios.

Não por nenhuma questão hemorroidal, mas pela simples razão de que tenho uma altura um pouco superior à média nacional. Felizmente as gerações mais novas têm surgido com estaturas cada vez mais elevadas, o que é bom em termos nacionais, para conseguirmos, gradualmente, ir eliminando aquela imagem que muitos estrangeiros ainda têm, do português baixinho, atarracado e de bigode. E infelizmente isto tanto servia para o português como para a portuguesa. Já não foi mau ver a Lúcia Moniz a entrar no “Love Actually” de buço depilado, apesar de fazer papel de uma pessoa inferior (empregada doméstica, e no mínimo não muito esperta). Melhor que essa, estão actualmente a Daniela Ruah e o Diogo Morgado. Embora esse ainda não resista a manter alguma capilaridade facial.

Adiante.

O certo é que, do alto dos meus 190cm, deparo-me com alguns problemas em sentar-me em locais apertados. Desde aviões a autocarros, passando pelos nossos teatros. Os cinemas mais recentes já seguem uma norma internacional, pelo que aí não tenho problemas, mas se vou a um teatro nacional, vejo-me à nora para arranjar posição. No Rivoli, quase sinto necessidade de comprar 2 lugares.

Na semana passada, fui ver a estreia de uma peça, no Sá da Bandeira. Um teatro, outrora bonito, que está (eu diria desesperadamente) a precisar de uma renovação. Depois de anos a passar filmes porno (algo que não me sai da cabeça durante todo o tempo em que estou sentado naqueles lugares da plateia – mas ainda assim acho que estaria pior se tivesse ido para os camarotes), nos últimos anos este emblema da cidade do Porto recuperou a veia teatral, e tem estado consistentemente com peças de teatro, e muitas delas de qualidade. 

Era o caso desta.

Quando me sentei, não estava ninguém do meu lado esquerdo. A minha mãe, que convidei a ir comigo quando me ofereceram os bilhetes (nas estreias, é raro haver lugares pagos, geralmente é para convidados, para que possa funcionar o word-of-mouth), ficou à minha direita. Isto na 2ª fila, no canto direito.

Pouco tempo antes da peça começar (e já muito depois daquilo que era a hora marcada para o início - algo tipicamente português), chega um casal jovem (talvez na 2ª metade dos 20's), em que ele se senta ao meu lado (não podia deixar a namorada sentar-se junto de um tipo jeitoso: macho que é macho previne isso e senta-se no intervalo). E assim que se senta, o rapaz fica de pernas abertas. E assim se manteve. O jovem, que não tinha bigode mas a típica barba de 3 dias que só fica bem aos gays, teria, seguramente, menos 10 ou 15cm que eu, mas ainda assim não conseguia manter uma postura... digamos... discreta. Parecia que teria tomates demasiado grandes para conseguir juntar as pernas, ficando o tempo todo com elas em V. De cada vez que mexia a perna direita, lá tocava na minha, pedindo desculpa em seguida. Felizmente não foram muitas as ocasiões, até porque fiz algum esforço para recolher o meu pernil de forma a evitar o contacto. Em posição relaxada, o tipo não conseguia manter os joelhos no espaço delimitado pelas costas da cadeira da frente, que, como todos sabemos, delimita oficiosamente as fronteiras do espaço pelo qual pagamos. Ou não, neste caso. Se calhar foi isso... como os bilhetes eram oferecidos, ele sentia-se no direito de se sentar como bem entendesse. Quando estou num local públido, geralmente preocupo-me com a envolvente, com quem está à minha volta, se estou a incomodar ou não. Por exemplo: nos concertos sem lugar sentado, é habitual eu procurar não só um lugar em que tenha boa visibilidade para o palco, como um em que tenha pouca gente atrás. Depois de eu ficar instalado, pode chegar quem quiser, porque eu já lá estava, mas não gosto de ir para a frente de alguém, porque sei que vou tapar visibilidade. Este jovem estava, em bom português, a cagar-se para quem estivesse ao lado.

Ah, e o coup de grâce que serve como corolário disto mesmo ocorreu após o intervalo, em que depois de beber uma água com gás, soltou um pouco sonoro arroto. Justificou-se à namorada com a garrafa que ainda tinha na mão.

De facto, a imagem do tuga iletrado e de bigode, ainda é capaz de perdurar mais uns anos.

E, já agora, a peça é boa, tem piada (apesar da 1ª parte ser algo monótona), e uma interpretação excelente do José Pedro Gomes. Chama-se “Os Reis da Comédia”, e além dele conta com o Rui Mendes e o Jorge Mourato. Recomendo.

segunda-feira, março 25, 2013

Habemus Papa Xico

O que é que se tem passado nos últimos dias, digno de registo?

Hmm... vejamos...

Bom, temos um papa novo, um jesuíta argentino que escolheu o nome Francisco.

Além de haver uma ordem religiosa* com o nome de um pastel típico de Sto Tirso (ou será ao contrário?), o nome escolhido não deixa de ser curioso. Isto porque se trata de um nome que origina um diminutivo característico, tanto em português (Xico/Chico), como em castelhano (Paco).

Se por um lado, rapidamente o novo papa começou a ser apelidado de Papa Xico ou, com conotações mais comerciais, de Papa Chicco (embora aqui o slogan da marca sofra bastante com as acusações de que a igreja tem sido alvo - "Chicco: onde há um bebé"), por outro a etimologia do diminutivo em castelhano não deixa de ser curiosa.

Isto porque há duas grandes teorias para a origem deste diminutivo, que aparentemente nada tem de semelhante com o nome original.
Uma faz alusão ao nome que um Francisco de tenra idade tenta reproduzir, quando lhe perguntam o nome. Pelos vistos os miudos espanhóis respondem "Paquico". Seria mais normal, digo eu, que largassem um "Panquico", ou então como os Xicos portugueses que conheço, um remelento "Fanxixo". Mas os espanhóis nunca foram muito bons em tentar idiomas que não o castelhano, pelo que isso deverá  também incluir o "criancês". Adiante. Alegadamente, ao crescer, o tal Paquico transforma-se em Paco, que é imensamente mais másculo e viril. Aqueles que resolvem desafiar toda a lógica etimológica transformam o Paco em Curro, vá-se lá saber porque raios. Coisas de espanhóis.

Uma outra teoria, à qual acho mais piada, ainda que a intensa, longa e exaustiva pesquisa que fiz num site de tretas espanholas diga que é a menos provável, é a de que o nome Paco seria uma abreviação (extrema) de Pater Comunitatis, uma forma em latim que era muito utilizada quando alguém se referia a S. Francisco de Assis, pois era o "pai da comunidade". Oras, este é precisamente o santo com que o novo Papa Xico mais se identifica. E como este, e as suas "Franciscanices" de renegar os luxos habitualmente reservados ao sumo pontífice (sumo? de laranja?), têm gerado uma onde de simpatia (que a igreja devia aproveitar para voltar a ter fiéis, cujo número está em decréscimo há décadas) que vai percorrendo todo o planeta, não era má ideia formalizar esta associação. E os espanhóis agradeciam.

* E, já agora, antes que venham protestar que os jesuítas não são uma ordem religiosa, devo deixar claro que, sinceramente, é coisa em que não me preocupei com a exactidão. Se não são uma ordem, podem ser uma sugestão, ou até uma indicação!
Mas não deixam de ser bons pastéis!

quinta-feira, março 07, 2013

De pernas bem fechadas

Muita gente já terá tido o sonho de estar num local público e de repente perceber que está descalça. É um sonho habitual, principalmente para quem está a estudar.

Segundo os entendidos, isto reflecte o sentimento de insegurança, relativamente aos desafios com que nos deparamos.

Sim, eu também já tive esse sonho, há muitos anos.

Mas o bom deste tipo de sonhos é que acabam quando acordamos, e depois de um sonho desses, seguramente não nos esqueceremos de calçar os sapatos.

Hoje, não tive esse sonho. Ou melhor, nem me lembro se sonhei. Mas tive uma realidade quase tão má.

Acordei, fiz o que tinha a fazer, tomei a bela da banhoca quentinha, arranjei-me, vesti-me e siga para o trabalho, atrasado como de costume.

Foi quando já seguia pela A28, mais próximo da empresa do que de casa, que me apercebi que a zona erógena estava arejada em demasia. Ao olhar para a dita-cuja zona, apercebo-me, praticamente em estado de choque, que a costura mesmo na união das pernas está desfeita.

E agora???

E agora... nada, há que seguir em frente. Não vou voltar para trás, isso seria reconhecer a derrota. Homem que é homem enfrenta o desafio de frente. Já lá vai o tempo de inseguranças.

Chegado à empresa, apresso-me a vestir a bata de trabalho.

Mas como reparar a situação? Como evitar que toda a gente repare na cor dos boxers? Obviamente não tenho um kit de reparação, com agulha e linha de cor a condizer. Talvez as mulheres tenham essas coisas nas suas malas em que tudo cabe, mas eu não. Passou-me pela cabeça agrafar as calças. Ou colar com fita-cola.

Mas achei que a bata seria suficiente para impedir olhares mais marotos. Afinal, não há grandes razões para os colegas repararem em pormenores na minha zona erógena. Esforcei-me para manter as pernas fechadas quando me sentava. Pensei em cruzar as pernas, mas sou daquelas pessoas que preferem o cruzamento aberto, porque acha que o cruzamento "à menina" é coisa de... menina.

Se resultou? Não sei, pelo menos ninguém me disse nada. Mas espero não ter causado pesadelos a ninguém...

terça-feira, janeiro 29, 2013

Automático? Não, obrigado


Ontem fui ao Jumbo, apenas para comprar meia dúzia de coisas, a caminho de casa. É a compra típica de homem: comprar apenas o que é necessário no momento. Se amanhã precisar de outra coisa qualquer, volta-se ao sítio.

Após recolher aquilo que fui buscar, nomeadamente comida de gatos, desodorizante (porque em casa gosto de ter sempre uma embalagem de reserva, é o ERP caseiro), e uma embalagem de limpa-fornos (porque o forno tem uns resíduos difíceis de tirar, desde que uma vez tentei derreter uma embalagem de cammembert com frutos silvestres, e mais de metade do dito resolveu superar os limites da embalagem e inundar o fundo do forno, qual rio furioso em leito de cheia), dirijo-me às caixas.

Olho em pesquisa das que estão disponíveis, que habitualmente são muito poucas, ao final da tarde, e coloco-me na fila para a caixa exclusiva de pagamentos com cartão (sabia que não iria ter dinheiro para tudo).

Vem uma raparigita do Jumbo perguntar, com ar simpático, se não quero ir para as caixas automáticas, que ela ajudaria a realizar o processo.

Disse que não, e ela virou logo costas e foi procurar outra vítima. Mas tive pena.

Tive pena que tivesse virado costas e não me tivesse perguntado “tem certeza?”, ou mesmo “porque não?”, porque aí teria algo para lhe dizer...

É que vejo muita gente nestas caixas, mas repare-se que são caixas em que é o próprio cliente que ensaca os produtos, faz a leitura nos scanners e efectua o pagamento.

Ou seja, nós é que temos o trabalho que há anos é efectuado por outras pessoas, e cujos custos se reflectem no valor que pagamos pelos produtos que compramos. Se nós próprios realizamos esse trabalho, naturalmente devíamos pagar menos.

Além disso, trata-se de uma mecanização/automatização que, se extendida a todas as caixas, significa mais não-sei-quanta gente para a rua. E eu, pessoalmente, gosto de ter uma pessoa a lidar com o processo, gosto de cumprimentar a pessoa, de deixar um sorriso a alguém que provavelmente já está a servir os outros há horas, de ter alguém do outro lado que, de repente, até pode reparar que aquela embalagem está danificada e pede a um colega (em patins/Segway ou, pasme-se, a pé!) para ir buscar uma nova, ter alguém para ajudar a resolver algum problema que possa surgir.
Ainda há uns poucos dias atrás, num Pingo Doce perto de casa, a rapariga da caixa avisou que o garrafão de 6L de água que levava estava com promoção, e podia levar outro sem pagar nada. Isso sim, é bom serviço. Uma máquina não lançava um talão a dizer "vai buscar outro garrafão, que é de graça, oh totó!!!". Quer dizer, acho que não...

 
Gosto do contacto humano. E por isso recuso-me a utilizar caixas automáticas. Quando posso, porque já no posto de gasolina, já não encontro bombas (e principalmente as baratas) em que é só chegar e dizer "é p'ra encher!".

domingo, dezembro 09, 2012

O dilema da lavagem

Eu trabalho como "Engenheiro de Qualidade", e isso implica, entre muitas outras coisas, estar atento e promover a uniformização de processos.

E nesse sentido, há uma coisa que me irrita, e que penso que já devia ter sido alvo de uma intervenção de algum organismo regulamentar, no sentido da standardização.

Tratam-se dos lavatórios de WC's públicos.

Seja em restaurantes, em shoppings, em cafés, institutos, serviços públicos, o que não faltam hoje em dia são WC's onde nos aliviarmos, quando surge aquela vontadinha. Já não há desculpa para fazermos no arbusto mais próximo. E muitos deles até estão lavadinhos e perfeitamente apresentáveis.

Mas, caramba, parece que cada lavatório é diferente!

Sempre que chego a um lavatório, para lavar as manápulas, seja antes ou  depois do servicinho feito, deparo-me com um cenário em que dou graças por ter tirado um curso de Engenharia, para perceber como fazer! Há aqueles de torneira à antiga, os que têm sensores em que basta colocar a mão por baixo para sair água, aqueles que se puxa uma alavanca para a direita, noutros puxa-se a dita para fora, noutros ainda empurra-se o raio da alavanca. E há os que têm temporizador.

Isto para falar apenas da torneira! E tirar o sabão? Também os há em que é preciso empurrar um botão, enquanto noutros temos que puxar uma maneta, e também há os automáticos. O curioso é que é raro ver uma torneira automática e um dispensador de gel também automático.

Mas não é tudo, ainda há que secar as mãozinhas... Por esta altura, depois de lutar contra a torneira e o dispensador de gel, já estou por tudo. Seja um dispensador de toalhas de papel, em que estas ficam presas entre si e, com um pouco de azar, saem 20 toalhas juntas. Ou uma "air blade", em que é necessário ler as instruções, para colocar a mão estendida entre duas saídas de ar comprimido. Ou um aquecedor em que é necessário carregar no botão para sair ar quente (destes, hoje em dia, 8 em cada 10 não funcionam). E há os que têm pequenas toalhinhas todas catitas e gourmet, que nunca sabemos ao certo se foram bem lavadas ou não.

O governo bem se podia encarregar de uniformizar a coisa, em vez de andar a lidar com pormenores como o défice ou a troika...

terça-feira, novembro 06, 2012

Ghost baby???

Eu tenho uma mente aberta. Diria até bem aberta. Gosto de estudar sobre o sobrenatural, gosto de programas que o exploram (ainda que muitos o façam de forma idiota), gosto de filmes sobre o tema, mesmo que depois me causem problemas em adormecer à noite, no quarto escuro, a pensar se os ruídos que ouço são feitos pelos gatos ou... por outra coisa.

Gostava imenso de acreditar que a vida não acaba quando morremos, até mesmo para poder acreditar que aqueles que conheci e que já partiram, apenas mudaram para outra forma de existência. Ainda não tive provas concretas disso. Enfim, tal como tanta gente, também eu já me senti observado quando não havia ninguém por perto, ou aquela sensação de que está alguém connosco, quando na realidade não está lá ninguém. Por outro lado, se senti claramente a presença do meu pai após ter falecido, por outro também me parece que isso teria mais a ver com o hábito de o ter por perto, que foi desvanecendo aos poucos.

Mas há uns dias, vi uma cena que me intrigou bastante.

Ao chegar a casa, estacionei o carro à porta do prédio, e uns metros ao lado estava um Renault Clio estacionado.

Estava vazio, e nos bancos de trás, tinha uma cadeira de bebé. Por cima, pendurado naqueles suportes no tejadilho dos automóveis onde tanta gente pendura o casaco, estava um mobile, um conjunto de brinquedos preso por um cordel. E este, movia-se.

Movia-se para um lado e para o outro. De início pensei o óbvio: "o carro deve ter ficado com uma janela aberta, e o vento faz balançar o brinquedo". Dei uma volta ao carro e não, estava tudo fechado. Pensei noutra situação óbvia: "tem um cão lá dentro". Olhei lá para dentro, preocupado até com o estado de um animal num carro com as janelas fechadas, mas não encontrei nenhum...

Procurei, no meio das minhas ideias, mas não encontrei muitos mais motivos lógicos para o abanar do brinquedo, que se mantinha. A rua não estava com particular movimento, por isso não seria da vibração causada pela passagem de carros. Havia ainda mais uma possível causa: tremores de terra indetectáveis por nós, mas que ocorrem todos os dias.

Fui confirmar à página do Instituto de Metereologia, e para aquele dia (28 de Outubro), não houve nenhum nas redondezas. Apenas um registado em Évora, outro em Sesimbra e ainda outro em Grândola. Ou melhor, não nestas cidades, mas nas estações sismológicas a elas referenciadas (por curiosidade, o mais forte destes foi o registado em Évora, com 1.7 na escala de Richter, é vulgaríssimo haver todos os dias 4 ou 5 mini-tremores, na ordem dos 2º, não nos esqueçamos que o planeta está vivo).

Ou seja... fiquei sem explicações. O dito mobile manteve o movimento durante vários minutos, muito para além do que seria normal se tivesse levado uma pancada e demorasse até parar.

Com isto, decidi-me a filmar um pouco, com o telemóvel. Comprovem vocês mesmos...
 
 
 

sexta-feira, outubro 26, 2012

Lirismos testiculares

Eu podia deixar aqui um texto sobre o dia de hoje. Podia falar das actividades preparatórias para o TEDxMaia, que estou a ajudar a organizar. Foi um dia cheio, sempre a correr.

Mas hoje também foi o dia em que levei o meu gato, o Gugga, ao "corte".

"Ao corte?"

"Ah! Ao corte! Ok..."

Toda a gente prefere dizer "ao corte", talvez por ser comum a noção de que falar com homens sobre algo que afecta os testículos (neste caso a remoção completa) leva sempre a uma dor invisível, um mau estar que, apesar de não ser físico, é capaz de forçar um esgar de dor a qualquer macho latino.

Como será, ficar sem os ditos?

Como será, para um macho na flor da idade e com as hormonas aos pulos, acordarmos um dia, irmos dar uma volta, adormecermos num sítio estranho e quando acordamos, olhamos para a baixo e... eh láááá... falta aqui qualquer coisa!!!?

Não consigo imaginar. O bicho pode muito bem estar a pensar "mas que mal fiz eu para me tirarem as bolas???".

Ainda tentei perceber, nos poucos miados que dá, se seriam mais suaves que o normal. Nos tempos antigos, não era incomum castrar-se rapazes antes que atingissem a puberdade, para que, com o treino adequado, crescessem para ganhar uma voz idêntica à das sopranos, com uma voz bastante mais aguda que os vulgares cantores masculinos. Relatos destes pobres cantores datam do império Bizantino, e floresceram (será este um termo adequado?) pela Europa até a queda de Constantinopla em 1204, altura em que a cultura europeia deu uma volta.

Ou seja, numa perspectiva muito negra, posso ver o meu gato como um potencial felino lírico.

A verdade é que já havia queixas dos vizinhos, da barulheira que o casal fazia, nas suas brincadeiras, e se ele mia mais fino ou não, não sei, mas o que importa é que fique mais calminho, agora que lhe cortaram à fonte de testosterona. E deixe de afinfar na fêmea, que coitadinha, essa já foi "ao corte" há muito, por isso já nem quer saber.

Sei que se eu acordasse, depois de me terem levado para um local estranho e terem-me cortado os tomates, ficava bem furioso, não demoraria muito a haver mortos e feridos.

E isto num animal que, quando chegou a minha casa no final de Julho, passou 2 dias sem que lhe pusesse a vista em cima, escondido, com medo do sítio novo. Demorou 2 meses a ganhar a confiança mínima para que me deixasse tocá-lo.


O Gugga hoje... quando chegou a casa, depois de o ter ido buscar ao veterinário, saltou para o meu colo e encostou a cabeça à minha barriga, para relaxar e tentar adormecer.


Eu sei que ele, provavelmente, nem se apercebeu. Mas do que não tenho dúvida é que os animais valem bem a pena.

quinta-feira, outubro 18, 2012

Power to the people

Já ouvi várias histórias de carjacking. Tenho amigos que já foram vítimas desse flagelo moderno. Felizmente todos apenas com danos nos carros (que em alguns casos, desapareceram para nunca mais serem vistos).

Na passada 6ª-Feira, fui jantar com amigos ao Cais de Gaia, e após termos ficado na conversa durante algum tempo, dirijo-me para casa. Por ser mais perto e rápido, saio da zona do Cais pela marginal, em direcção à Ponte da Arrábida. 2h30 da madrugada.

Um pouco antes, da ponte, junto a uma zona habitualmente utilizada por roulottes para pernoitar, e também por... casais que não têm dinheiro para motéis (ou até pode ser fetiche, sei lá...), vejo um carro no meio da estrada, e um jovem de pé, ao lado.

O rapaz, novo (20 e poucos) estende os braços, pedindo para que eu pare. Dentro do carro estava uma miúda, da mesma faixa etária. Com um ar cansado, mas não me vou debruçar sobre as causas disso.

Obviamente que me vieram à cabeça todas as histórias já conhecidas.

Carrego no botão de fecho centralizado de portas, e deixo apenas uma frincha na janela, o suficiente para falar. E quando páro ao lado dele, deixo o carro engatado, de forma a sair rapidamente, se for necessário.

O miudo pergunta se tenho cabos de bateria, pois ficaram sem a do seu carro.

É claro que a minha primeira opção foi responder "não", e sair dali antes que saltassem alguns comparsas para me levar o carro. Mas sabia que ao fazer isso, iria ficar a pensar "e se fosse verdade? Negar ajuda a um casalito por medo?". Já seria a 2ª vez nesse dia, pois antes, ao dirigir-me para o emprego, vi o corpo de um gato, basante parecido com a minha MoMA, e como não tinha ferimentos visíveis, pensei em parar para ver se estava vivo. Mesmo que estivesse em sofrimento, podia levá-lo ao vet para morrer em paz. Mas já ia tarde, não quis atrasar-me por causa disso. E fiquei com remorsos no resto do dia.

Peço ao miudo para dar à chave, de modo a comprovar que estava sem bateria. Assim o fez, e de facto o carro não pegava. Isso não invalidaria que saltassem os capangas, mas resolvi arriscar.

Arrumei o carro em frente ao deles, tirei os cabos de bateria que estão sempre na mala do meu, e ajudei-os a arrancar, dando-lhes algumas indicações, já que pelos vistos era a primeira vez que lhes acontecia isto, algo em que já sou veterano (refiro-me ao ficar sem bateria, não a noitadas em carros apertados, em locais obscuros...) E vim à minha vida, são e salvo, e com a sensação de ter feito uma boa acção.


Mas ainda assim, ao chegar a casa ainda pensava "e SE era mesmo carjacking????"...

quinta-feira, setembro 13, 2012

O vapor é algo que não me assiste...

***Aviso: Este post pode ferir estômagos e tripas sensíveis... ***

Há bastante tempo atrás (demasiado para confirmar quanto), escrevi aqui um post sobre a problemática social da escolha do urinol, em WC's públicos.

Quando está vazio, nunca sabemos a qual ir, e quando está gente, há que deixar 1 lugar de intervalo, é o comportamento socialmente correcto.

Mas há uma outra problemática associada aos WC's públicos... principalmente nos masculinos, digo eu, porque não conheço os femininos.

Oras... quando um ser humano larga o seu excedente líquido, não é raro que este solte um pouco de vapor. Principalmente em dias frescos, já que o líquido sai próximo da nossa temperatura corporal de 37ºC. Alguns WC's também incorporam nos urinóis alguns produtos para reduzir a libertação de odores, sendo que alguns deles também libertam vapores.

A questão é... o que faz o homem quando está numa situação destas e... sente aquela vontade quase incontrolável de soltar um bocejo.

Pode ser por sono, cansaço, ou apenas a simples necessidade de oxigenar o cérebro. Sentimos a boca a abrir, num reflexo involuntário, e percebemos que estamos prestes a inspirar profundamente todo aquele vapor que exala do urinol.

O que fazer???

Não é uma decisão fácil, e temos apenas um ou dois segundos para a tomar, antes que o binómio boca aberta-vapor de qualquer-coisa-que-nem-sabemos-bem-se-é-urina-ou-vapor-de-água se tornem num denominador comum.

O problema é que não há uma resposta correcta. Alguns viram a cabeça para onde podem, outros tentam impedir o impulso do bocejo, outros tentam impedir o impulso urinário.

Eu? Obrigado por perguntarem. Eu opto por fechar a boca e ter um bocejo "interior", o que não é nada fácil, mas ao fim de anos e anos de prática, é algo que se domina...

domingo, setembro 09, 2012

Tudo muda, tudo se mantém igual

Quando eu era pequeno, tudo me parecia grande. O mundo parecia-me enorme.

Lembro-me de andar no banco de trás do carro do meu pai, e sentir que tinha imenso espaço, podia-me deitar no banco, na altura não havia obrigatoriedade de uso de dispendiosas cadeiras para crianças. Era um Renault 5, mas parecia-me enorme.

Lembro-me de demorarmos 2 dias para chegar ao Algarve, na altura em que ainda só tinha um "L", e praticamente não havia auto-estradas.

Lembro-me que podíamos ficar a brincar na rua porque não havia insegurança. Mas tinha que ser perto, porque não havia telemóveis para avisar, caso estivéssemos longe. Nem telefones de casa portáteis, quanto mais telemóveis...

Naquela altura, não havia centenas de canais e pouco ou nada que preste para ver na tv. Havia os desenhos animados checos do Vasco Granja, e mais tarde o "Agora escolha", uma novidade tecnológica em que se podia ligar para a televisão e assim influenciar o final do programa.

Naquela altura, era vulgar as pessoas da Foz e de Matosinhos dizerem "vou ao Porto", porque apenas uns anos antes, esses eram os arredores da cidade.

Naquela altura, as pessoas iam aos hospitais para se curarem, não para apanharem infecções ou coisa pior.

Naquela altura, quando procurávamos um médico, não pensávamos em pedir uma 2ª opinião, por receio que o 1º tivesse dado uma indicação errada.

Naquela altura, não havia "doenças modernas". Ou melhor... havia a SIDA, que estava a acabar de ser descoberta, lembro-me da morte do actor Rock Hudson, mas não me recordo da morte do António Variações. Mas isso era doença de adultos (e nessa altura, de homossexuais).

Não havia doenças modernas de crianças. Não havia campanhas massiças para angariação de dadores de medula.

Naquela altura, princesas não nos deixavam após uma luta inglória contra um inimigo invisível e incompreensível.

Naquela altura, dizia-se que dali a 20 ou 30 anos, tudo iria ser muito melhor, mais avançado.

Entretanto cresci, e hoje o mundo é que me parece pequenino.

Descansa em paz, Cá. Hei de voltar a ver-te.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

A morte, quando aparece, é em fato clássico...

A primeira coisa que faço de manhã, quando acordo, é ligar a televisão. Ou melhor, a primeira é desligar o alarme do telemóvel, senão aquilo toca de 10 em 10 minutos. A segunda será, então, ligar a Tv.

Isto desde que se massificaram os canais de notícias em português, como a SIC Notícias ou a RTPN. Antes disso, ligava o rádio.

Gosto de me manter informado, mesmo que desde há uns anos para cá, as notícias sejam, na sua grande maioria, más. E algumas conseguem deixar-me mesmo irritado, nomeadamente tudo o que seja reportagens sobre declarações de políticos ou sindicalistas. Mas adiante.

Habitualmente ligo automaticamente para a SIC Notícias, porque acordo às 7:20, e a essa hora a RTP está a falar de livros ou de como falar bem em Brasileiro. Mas na SIC, pouco depois disso entra um espaço comercial, que se extende até cerca das 7:35, o que me causa estranheza: não teria lógica ter notícias às 7:30? Talvez considerem que muita gente acorda a essa hora, e demora uns minutos a conseguir abrir os olhos, daí só voltarem à emissão um pouco mais tarde...
Bom, mas nesse espaço comercial, entre muitos anúncios banalíssimos, houve um que hoje, me chamou a atenção. Tratou-se de uma publicidade a uma agência funerária.

Uma agência funerária... De seu nome “Agnus Dei”. Louvo o trabalho desta gente, no mínimo é preciso algum estofo para aguentar lidar com cadáveres todos os dias, até fins de semana e feriados. Por outro lado, é daqueles negócios que vai ter sempre mercado!
Mas esta... bom, tratou-se de um mini-anúncio, não mais de 5 segundos, porque a publicidade em televisão é cara.

Pondo de lado a real estratégia ao anunciar uma agência funerária às 7 e tal da manhã, esta chamou-me a atenção pelo símbolo... A agência Agnus Dei utiliza um símbolo com este nome, e um coração no centro. E nos 5 segundos que dura o anúncio, o símbolo surge com o coração a bater.
Isto, no mínimo, parece-me algo desadequado. Um coração a bater para anunciar uma empresa em que os clientes têm-no paradinho, é algo estranho. Pegando num termo do Marketing, qual será o “Insight”? Será uma mensagem subliminar do género “embora trabalhemos com os mortos, estamos bem vivos!”? Será do género “quando o seu coração deixa de bater, conte com o nosso!”?

O raio do anúncio deixou-me algo inquieto. Ou é uma tremenda falta de gosto, ou há ali qualquer mensagem que não entendo.

Mas entretanto, dei-me ao trabalho de ir ver a página da agência (http://www.agenciaagnusdei.com). Lá está o raio do símbolo, mas pelo menos o coraçãozinho está parado. São de Alcabideche, e trabalham também em Tires e São Domingos de Rana. Têm até número verde. Óptimo para quem resolva ir desta para melhor nessa zona.
Há um link para “A Equipa”. É claro que tinha que lá ir.

Entrando neste link, surgem as imagens de vários homens, todos de fatinho e gravata. E o texto que acompanha a página faz questão de explicar o porquê do fato e gravata: “Com fatos clássicos e vestidos a rigor procuramos o equilíbrio da imagem, não desprezando o factor humano de simpatia e atenção...”. Era escusada a descrição provinciana, digo eu, mas é só a minha opinião. Reparo então que todas as 8 fotos são de comerciais e motoristas. Ah, e um técnico de informática. Atrevo-me a dizer que este último numa pose de engatatão. E incluem os nomes completos e locais de residência de todos, o que contribui imenso para a minha felicidade. Assim fico a saber que se eu morrer na zona de Matocheirinhos, há por lá um motorista funerário que rapidamente me leva para a agência.

Os motoristas, ainda vá que não vá, mas são necessários 5 comerciais, entre assistentes e técnicos? Há assim tanta concorrência para apanhar este ou aquele óbito? A minha mente ignóbil rapidamente foge para cenários em que os comerciais da empresa andam pelos campos a envenenar velhinhos para proporcionarem negócio à empresa. É provável que “assistente comercial” seja um sinónimo para “o homem que ajuda a carregar o caixão”.

Mas o que não consigo entender é, se já se deram ao trabalho de colocar fotos dos comerciais e motoristas, porque raios não surge nenhuma foto das pessoas que realmente vão lidar com os falecidos? Para que raios quero saber que o motorista tem ar de Fangio, se não sei se quem vai lidar com o cadáver tem ar de Frankenstein???

Bom, como digo, tenho grande respeito por quem se dedica a esta profissão, como a todas as outras, mas secretamente espero nunca vir a falecer lá para os lados de Alcabideche, essa bela terra que rima com escabeche...

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Ciências exactas...

Ontem vi uma reportagem qualquer sobre um rapaz licenciado em Ciências Políticas, que largou o curso e se dedicou à agricultura.

Isto fez-me pensar nas Ciências Políticas... Mas que raio de ciência se pode associar à Política? Algum dia a política poderá ser uma ciência exacta??? Desenganem-se os que dizem que “em Portugal a política é uma porcaria”, não pela porcaria que é, mas pela exclusividade lusitana. É mal de que padecem muitos países por esse mundo fora, mesmo os ditos “desenvolvidos” e com rating AAA.

Mas de facto a política é um mundo sujo. Já me passou pela cabeça inscrever-me num partido dos de topo, não por qualquer identificação com a sua ideologia de base, mas apenas e só porque isso poderia abrir portas. Mas sou incapaz de o fazer.

Há uns dias atrás, já este ano, fui convidado para um jantar, oferecido pelo PSD de uma terreola próxima do Porto. Só depois eu e outros convidados percebemos que a ideia do convite era só para “fazer número”. O banquete foi numa churrasqueira, onde estavam perto de 200 pessoas, mas em que claramente cerca de 40% não eram militantes ou sequer apoiantes. No meu caso, um amigo Relações Públicas levou-me, junto com mais 30 pessoas. Outros convivas foram recrutados por esquemas semelhantes. A nossa ideia não passava de receber uma refeição gratuita, e que por acaso nem estava nada má, aquela gente trata-se bem.

Para mal dos meus pecados, o lugar em que fiquei sentado ficava mesmo junto à mesa “da presidência”, onde, para além do vice-presidente do partido, estava o presidente da câmara local (figura muito conhecida, principalmente nos meandros do Futebol Nacional), e mais um dignatário nacional do partido, que não faço ideia de quem seja, mas já vi nas notícias, naquelas cenas em que se vê o ministro e o séquito de seguidores a correr ao seu lado, ávidos de poder dizer “com certeza, sr. Doutor” (presumo que deve ser a frase mais dita por um político, até este próprio se tornar, um dia, no tal “Doutor”). Mas porque estava mal posicionado, senti-me compelido a cantar o nome do partido quando os oradores (porque tinha que haver discursos...) faziam as pausas programadas para a ovação.

Só faltou lá aquele animador dos programas de televisão, que indica às pessoas quando bater palmas.

O discurso do tal presidente de câmara é que mexeu comigo. Dizia ele que “é muito bom ver aqui 200 pessoas, 200 militantes, 200 amigos que estiveram ao nosso lado nos últimos 4 anos e nos ajudaram a ganhar força e erguer o partido!”...

200 militantes??? 200 apoiantes?

Se estivessem lá 100 militantes já seria uma sorte. À minha beira estava uma comunista...

Os restantes estavam como eu, à espera da vitela assada e do vinho gratuito. E que não demorasse muito, que com jeitinho, alguns ainda sairiam dali para ir comer a sobremesa patrocinada por outro partido qualquer...

Esta hipocrisia, o chorrilho de acusações durante o discurso, esta ostentação bacoca ridícula mexem comigo. Nunca poderei ser político ou sequer ter filiação partidária. Mas aceito de bom grado mais uma vitela assada!!!


Entretanto, se quiser um dia vir a usufruir do factor C para alguma coisa, estou a ver que o melhor é tentar entrar para a Maçonaria...

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Há coisas que me irritam...

Há coisas que me irritam.

Toda a gente sabe que o país está mal, que tem pormenores pavorosos de má gestão, mas mesmo assim, o português tem uma aptidão especial por dar tiros nos pés.

Esta semana vi alguns exemplos fantásticos disso mesmo.

Um foi o Procurador Geral da República a reclamar que a justiça britânica é muito lenta, porque o Vale e Azevedo tem, ao interpor recursos atrás de recursos, atrasado o seu processo de extradição muito para além do que seria um prazo normal. E entretanto, passeia-se pela capital inglesa.
Pois... alguém é capaz de lembrar este senhor, uma das figuras maiores do estado português, que isso é precisamente o que se passa com um tal de Isaltino Morais? Ou pior: se formos a ver a questão da extradição, estará este senhor esquecido do facto de que o estado português não autorizou a extradição de um condenado à prisão por homicídio de um polícia, só porque, aparentemente, este estava já integrado na sociedade portuguesa??? Bom, suponho que este caso pode até ser bom para a economia nacional, porque assim começamos a receber turismo de assassinos, à espera de passar cá uns anos largos. Afinal, os assassinatos por cá até prescrevem ao fim de 11 anos! Basta manter um low-profile e pode-se ter uma boa vida, assim tipo "não se porte mal, e pode viver em Portugal".

Outra foi o Marinho Pinto a reclamar da auditoria às oficiosas... toda a gente sabe que os advogados, principalmente os estagiários, tentam aproveitar-se do sistema para começar a fazer dinheiro o mais rapidamente possível. É humano! O sistema tem falhas, logo há que aproveitá-las, é isso que a sociedade nos ensina. Mas não, diz o bastonário da ordem que aquilo é falso, baseado em dados falsos, e que não se passa nada daquilo. Mas estamos a brincar???

Ah, e outra foi a do Passos Coelho. Relatava o Expresso que o primeiro-ministro perdeu o seu iPad. Perdeu? Não propriamente: deixou-no na bolsa do assento do avião das linhas aéreas angolanas que o transportou de Lisboa para Luanda, e alguém ficou com ele. Refira-se que a notícia indicava que isto se passou na classe executiva. Sim, este é o mesmo primeiro-ministro que, no dia seguinte à tomada de posse, ia para Bruxelas em classe económica para dar o exemplo. Mas 8 meses depois, já não há classe económica para ninguém, para ir daqui para Angola é melhor não haver misturas com a população geral... É como o outro ministro, que apareceu à tomada de posse de mota e agora anda de Audi... "ah e tal, isto foi uma prenda do governo anterior e agora era mais caro devolvê-lo...". Pois, claro que sim. E o Pai Natal existe e vem descer pela chaminé que não tenho, para me colocar o que falta do subsídio de Natal no sapatinho, não?