quarta-feira, janeiro 31, 2007

Trânsito caótico em Matosinhos

Bem, conforme prometido, falemos de outra coisa. Não de tuning, fica para outra altura, mas da porcaria das alterações de trânsito em Matosinhos!

Já vi dois acidentes, um dos quais hoje mesmo. E também hoje mesmo quase me batiam de frente!

As alterações são estúpidas, ter avenidas largas apenas com um sentido é ridículo. E as alterações implicam que haja maiores congestionamentos de trânsito, o que se tem notado bem. Como se já não bastassem os engarrafamentos na rotunda do final da Av. República, principalmente quando os semáforos do Metro se passam (2 semáforos separados por 5 metros, sem nenhum cruzamento de vias entre eles... vá-se lá entender... eu já nem paro no 1º, funcionam ao mesmo tempo, por isso vou logo para o 2º...).

Bom, fica aqui o link para o mapa com as alterações, cortesia da câmara, que fez a m**da e pronto, a gente que se desenrasque... :
http://cmmatosinhos.wiremaze.com/document/816725/864858.pdf

Ainda o aborto!

Ok, eu prometo que o próximo post é sobre o tuning ou coisa parecida.

Mas hoje uma colega advogada deu-me uma ensaboadela sobre o artigo 142º do Código Penal, o tal que será alterado caso o "SIM" vença no referendo.

Dizia-me ela que este artigo até já prevê um prazo de 24 semanas, e que prevê que caso a mulher não tenha condições para criar a criança (o que se pode reflectir nas condições psicológicas), a lei permite a interrupção da gravidez sem penalização.

Bom, jovem, desafio-te a prová-lo, porque pelo que vi, isso não é assim.

A condição de permissão até às 24 semanas é aqui transcrita (alteração de 1997 ao dito artigo):
"Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de
doença grave ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez,
comprovadas ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis,
excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;"

Pelo que vi, a única zona onde dizem que se pode cometer a IVG será pelas questões psíquicas da mulher.

Convenhamos que isso, em Portugal e não só, demoraria imenso tempo, sendo pouco provável que a decisão fosse tomada em tempo útil.

E dizer que quem pensa fazer um aborto e se arrepende a tempo vive feliz com a criança? Bom, então também é lícito perguntar quantas ex-mães fizeram abortos (clandestinos...) e não acham que foi a melhor solução?

Mas continuo a dizer: Mesmo com o bispo de Viseu ou Leiria, ou lá de onde é o homem, a dizer que vota Sim, o Não vai ganhar. Não tenho dúvidas.

Afinal, estamos num país em que a maior parte da população pensa que "Demagogia" é o título de uma música que a Lara Li cantava há 20 anos, e que "Hipocrisia" é o juramento que os médicos fazem...

domingo, janeiro 28, 2007

Cuidado! Vem aí o Aborto!!!!

Está quase a chegar o Aborto!!! Fujam todos!!!

Pelo menos é assim que a Igreja Católica quer que pensemos.

É curioso que saiu o resultado de uma sondagem da Univ. Católica, dizendo que o "Sim" vai ganhar. Mas com uma margem menor do que na sondagem anterior, há umas semanas atrás.

Curioso como aconteceu exactamente a mesma coisa no referendo de 1998. Note-se que é uma sondagem realizada pela Universidade Católica. Ou seja, ninguém me convence que soltam estes valores para influenciar os devotos indecisos a ir votar pelo "não".

Ontem ouvi uma senhora (tipo beata) dizer na tv que um aborto é uma violência imensurável para a criança. Então e que dizer de deixar viver essa "criança" (que ainda não o é às 10 semanas), e submetê-la a uma vida de privações, dificuldades, e provavelmente maus tratos??? Já se sabe que crianças não desejadas são habitualmente mal tratadas pelos pais.

"Ah, nesses casos é necessário investir no planeamento familiar", dizem eles. Tretas, hipocrisia, balelas! Bullshit do pior!!! Não é necessário um referendo para dizer aos portugueses que é necessário investir mais no planeamento familiar, é algo que já se sabe há 20 anos e está razoavelmente na mesma.

Lembro a quem quiser ouvir que o referendo é pela Despenalização da prática da IVG, vulgo "aborto". Ou seja, pôr escrito na lei que quem pratica um aborto até às 10 semanas não deve ser penalizado legalmente. Ouvi hoje no Telejornal do 1º canal um médico, apoiante do "Não", dizer que o aborto não deve ser legalizado, mas quando lhe perguntaram se a mulher que o faz deve ser acusada e julgada, respondeu que "quem o deve dizer são os juízes, não eu". Porras, mas essa é que é a pergunta do referendo!!!!!

Também lembro outra coisa: Mesmo que o "Sim" ganhe, continuaremos a ser dos países da União Europeia (isto ao nível dos antigos 15) com a legislação mais repressiva neste aspecto. Só a Irlanda é pior, mas aí as irlandesas vão todas a Inglaterra para abortar em condições...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Formação a agentes cívicos

Ainda sobre a formação a agentes da autoridade, e pegando no comment de que não seria só a esses (os taxistas, meu deus, os taxistas...), deixo aqui um episódio a que assisti.

Em 1998 fiz uma viagem de combóio até ao norte da Suécia, para realizar um curso de 2 semanas, aproveitando as vantagens do Interrail.

Escusado será dizer que as diferenças entre o combóio ibérico que ia do Porto a França e os combóios a partir desse ponto, no resto da viagem, eram abissais. Mais do que abismais, eram abissais mesmo.

Mas logo ao sair do Porto, fiquei com o meu companheiro de viagem numa cabine, na qual entrou também uma rapariga francesa. Ela falava inglês, o que deveria ser garante de se desenvencilhar em qualquer país da europa ocidental.

Mas heis que chega o revisor, o "pica":

Pica: "- Ora munto boa tarde, os bilhetes faxavori"
(eu e o meu colega apresentamos os títulos do Interrail, junto com os bilhetes que tínhamos já comprado)
Rapariga: "- Hello, I would like to buy a ticket here, I was told it is possible".
P: "HÃÃ?"
R: "I would like to buy a ticket, please"
P: "Não menina, o bilhete, sem bilhete não vai a lado nenhum"
R: "I don't understand, they told me at the station that I could buy a ticket"
P: "O BILHETE, tá a ber? O BILHEEETE"
(note-se que o pica, tal como muito boa gente, acha que se falar português aos berros, mas devagarinho como se fosse deficiente, é compreendida por qualquer estrangeiro)

R: "I'm sorry, but I don't understand"
P: "O BBIIIIIILLLHHHEEEEEEETTTTEEEEE!"
R: "The ticket? I want to buy it!"

(olha, se calhar a técnica funciona!)

P: "Ai, tou a ber que me bou chatear..."

Aí eu e o meu colega intervimos e explicamos ao homem o que a rapariga tentava dizer, em 30 segundos ele vendeu-lhe o raio do bilhete e seguimos viagem...

PS: Porque não intervimos antes? ... e parar de rir por dentro, acham que é fácil???

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Atitudes da autoridade

Esta história do GNR condenado há 2 anos e meio a devolver a criança fez-me pensar numa coisa.

Alguém sabe se o curso de formação de oficiais (tanto da GNR como da PSP) inclui formação cívica?

À primeira vista, dá ideia que este GNR tem trato. Era foragido da justiça, mas tem trato.

Mas ultimamente temos casos como um GNR reformado que entra em contramão na autoestrada e mata uma estagiária da PSP... e e outro em que um PSP atropela um tipo e foge.

Isto para não falar nos casos antigos de cortes de cabeças em esquadras...

Quem nunca se deparou com um polícia arrogante e prepotente, mortinho por nos passar uma multa? Isto vê-se muito nas operações stop... se temos menos de 0,5 é uma desilusão para eles. Eu já passei por isso, quase era escorraçado, nem me disseram qual o resultado, apesar da minha pergunta nesse sentido (respondida com um "vá-se lá embora!").

É verdade que os agentes da autoridade vêm-se impotentes para combater o crime como certamente gostariam. A maior parte deles não se importava de combater com meios bem mais violentos, estilo velho oeste, coboiada pura. Outro dia falava com um rapaz do grupo de operações especiais da PSP, que me confessava a frustração ao prender um tipo, sabendo que duas horas depois estaria cá fora. Chegaram ao ponto de ter polícias à paisana à saída do tribunal, para seguir um delinquente que sabiam que ia ser absolvido, mas que sabiam que a probabilidade de efectuar um novo assalto era grande. E dois quarteirões depois, o dito-cujo rouba um carro...

Mas ainda assim, estes casos dão a entender que, além da renovação da frota automóvel que hoje ocorreu, não era mal pensado investir na renovação (ou formação inicial) das boas maneiras de civismo dos agentes da autoridade... E quantos polícias sabem falar inglês? Então aqueles GNR's de bigode e pança proeminente... imagino!

domingo, janeiro 21, 2007

O GNR que raptou a criança...

O país está transtornado com o caso da criança pseudo-raptada.

Fala-se no Habeas Corpus para soltar o GNR sentenciado a 6 anos.

Revolta popular, indignação geral.

Vamos lá a ver uma coisa: é certo que a pena de 6 anos de prisão é exagerada, considerando casos semelhantes que levaram penas muito mais pequenas.

Mas...

Estamos a falar de um cabo da GNR que ficou com uma criança porque a mãe a deu. Sem documentos legais, sem coisa nenhuma. Seria de esperar que um agente da autoridade se comportasse de outra forma.

O pai verdadeiro pode ter os piores motivos para reaver a criança, mas o facto é que já anda a tentar há 3 anos. E há 2 anos e meio que há uma sentença do tribunal a obrigar à devolução da criança ao pai biológico, coisa a que o agente da autoridade sempre se recusou.

É certo que a criança provavelmente ficaria melhor com os pais adoptivos, mas a lei é a lei, e quando um agente da autoridade a infringe de forma tão gritante, com o bem-estar psicológico de uma criança em risco, ainda que as intenções sejam as melhores, é mais um sinal de a coisa vai mal neste país...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Que nem mouros!

O que nos fará trabalhar como mouros? Ou como pretos? Ou como mulas de carga, para ser politicamente (e etnicamente) correcto? Ou como máquinas incansáveis (para ser darwiniamente correcto...)?

Eu estive quase 5 anos num emprego onde a vidinha era santa. Trabalhava-se, sim, mas num ritmo calmo... bastante calmo... Uma Não Conformidade (algo que vai contra o que está especificado) era tratada com calma, porque já se sabia que não havia muito a fazer...

Eu não queria isso para mim. Queria desenvolver as minhas capacidades, não acomodar-me a uma cadeira.

Surgiu a hipótese de ir para outro lado, ligado à indústria automóvel, que me dava muitas outras perspectivas. E onde iria trabalhar mais, que era o que pretendia.

Só que...

Chiiiiiça! Também não era preciso exagerar!!!

Há dias em que tanto eu como os meus 2 colegas que fazem a mesma função, andamos como tolinhos, sempre a 200 de um lado para o outro, em stress permanente.

Suponho que no fundo, é uma exploração. Não temos a capacidade nem autonomia para dizer "não, isso já não faço, é demais". Ou porque já estamos habituados, ou por acharmos que "o mercado está difícil, nem tento procurar outras coisas", ou por acharmos que o emprego até é bom, é só uma fase mais complicada que já vai passar...

'Tá bem, 'táááá bem... Só não procura outras coisas quem não quer. É verdade que não está fácil, mas não está impossível...

Eu, por mim, vou continuando. Mas morando no Porto e trabalhando em Braga, um dia destes canso-me das viagens e vou procurando outras paragens, até porque vendo bem, nem comp€nsa...

terça-feira, janeiro 16, 2007

O presidente lá longe...

O nosso presidente anda lá pelas Índias.

Muito bem. Visita de estado, na senda dos périplos iniciados por esse grande senhor da nossa política, o sr. Mário, que andou a visitar os seus amigos exilados no estrangeiro à nossa custa.

Depois de ver a reportagem de hoje da SIC, é bom saber que o dinheirinho que dou ao estado todos os meses serve para que os factores mais importantes a reter desta viagem de estado sejam que uma cerimónia tenha sido bonita, com cores bonitas, e que as especiarias e o picante fazem dói-dói na barriguinha do sr. dr. presidente.

Ah! E que praticamente só têm comido arroz branco! Será Saludães, para promover o que é nacional??? Nah, deve ser Cigala...

Acho que agora no fim do mês vou pedir à empresa para descontar ainda mais. É para ajudar o sr. dr. presidente boliquense a comprar sais de frutos...